Engana-se quem pensa que basta ser bom com números e ter conhecimentos bancários para passar em um concurso bancário. As bancas cobram — e cobram muito — língua portuguesa, especialmente em questões de interpretação, reescrita e análise gramatical em textos reais.
E, dentro desse pacote, há dois temas que são figurinhas carimbadas em todas as provas: concordância verbal e concordância nominal.
As bancas adoram explorar esses tópicos em questões de identificação de erro, trabalhando situações clássicas: sujeito composto, expressões partitivas (“a maioria de”), coletivos, porcentagens, pronomes como “quem” e “um dos que”, além de casos como “mais de um” e verbos impessoais.
Dominar essas regras faz diferença — é o que evita pegadinhas muito comuns e te garante pontos fáceis. E, para facilitar esse caminho, a TopConcursos reuniu aqui as regras que mais caem, as ciladas mais comuns e um passo a passo para estudar melhor o tema.
Neste artigo, você aprenderá:
- Como identificar uma concordância nominal e verbal?
- Quais as 7 principais regras da concordância verbal?
- Quais as 7 principais regras de concordância nominal?
- Quais são os erros mais comuns de concordância em provas de concurso?
- Como estudar concordância verbal e nominal para concurso?
Quer gabaritar o português no concurso bancário? Comece por aqui.
Como identificar uma concordância nominal e verbal?
Concordância significa estar de acordo ou em conformidade. Na gramática, esse termo indica a maneira como as palavras ajustam a sua forma às outras palavras das quais dependem. Esse ajuste recebe o nome de flexão. A flexão pode ocorrer em:
- Gênero e número (no caso dos adjetivos, nomes e pronomes);
- Número e pessoa (no caso dos verbos).
Daí a divisão do tema em concordância nominal e concordância verbal.
- Concordância verbal: o verbo deve concordar com o sujeito em número e pessoa.
- Concordância nominal: o adjetivo (ou determinante/pronome) deve concordar com o substantivo em gênero e número.
Para não haver confusão entre os termos, veja como identificar cada uma:
Concordância verbal
A concordância verbal determina como o verbo deve ser flexionado para se alinhar ao sujeito da oração. A regra geral diz que sujeito e verbo devem concordar em número e em pessoa:
- Concordância em número: singular ou plural;
- Concordância em pessoa:
- 1.ª: eu, nós;
- 2.ª: tu, vós;
- 3.ª: ele, ela, eles, elas.
Exemplo:
- “Os alunos estudam para a prova.”
- Sujeito: os alunos (3.ª pessoa do plural);
- Verbo: estudam (3.ª pessoa do plural).
Fácil, né? Então bora ver agora como identificar a concordância nominal.
Concordância nominal
A concordância nominal define como os adjetivos, artigos, pronomes e numerais devem ser flexionados para se ajustar ao substantivo a que se referem. A regra geral diz que esses termos devem concordar com o substantivo em:
- Gênero: masculino ou feminino;
- Número: singular ou plural.
Exemplo:
“As casas bonitas foram vendidas.”
O substantivo “casas” está no feminino plural. O adjetivo (bonitas) e o artigo (as) são ajustados para combinar com o substantivo. Ambos estão no feminino e no plural.
Em resumo, para nunca mais errar:
- Se a relação é entre verbo e sujeito, é concordância verbal.
- Se a relação é entre adjetivo/pronome/artigo/ e substantivo, é concordância nominal.
Juntando tudo em um só exemplo:
- Os professores estavam preocupados.
Nessa oração, o verbo “estavam” concorda com o sujeito “os professores” (concordância verbal) e o adjetivo “preocupados” se ajusta em gênero e número com o substantivo “professores” (concordância nominal).
Até aqui, tudo claro? Então vamos um pouco mais a fundo para conhecer as principais regras de concordância verbal e nominal.
Quais as 7 principais regras da concordância verbal?
Em resumo, na concordância verbal o verbo deve ser flexionado em pessoa (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e em número (singular ou plural) para se ajustar ao sujeito da oração:
- O aluno é estudioso.
- As alunas são estudiosas.
Essa, porém, é apenas a regra geral — usada para frases com sujeito simples, como veremos a seguir. Mas há vários desdobramentos importantes.
Isso inclui situações mais básicas, como sujeito composto e orações sem sujeito, mas também casos especiais, como substantivos coletivos, o verbo haver (no sentido de tempo decorrido ou de existir), o verbo fazer (indicando tempo), expressões partitivas, verbos que indicam horário, sujeitos ligados por “nem”, “com” e construções com a partícula “se”. Isso só para citar alguns.
E isso é apenas uma pequena parte da lista. Mas calma — não é preciso decorar todas elas.
Para concursos bancários, tudo o que você precisa é estudar as regras mais cobradas pelas bancas. Entre as 7 que mais costumam cair em exames desse tipo estão:
- Sujeito simples;
- Sujeito composto;
- Orações sem sujeito e verbos impessoais;
- Expressões partitivas;
- Pronome relativo “que”;
- “Se”: apassivador x indeterminado;
- Conectores: “ou”, “nem”, “com”.
Pronto(a) para conhecer as principais regras de concordância verbal? Vamos a elas!
- Sujeito simples
Essa é daquelas regras que aparecem em praticamente todas as provas. Orações com sujeito simples são aquelas que têm apenas um núcleo. A regra diz que o verbo deve concordar em número e pessoa com esse núcleo — independentemente da posição do verbo ou do sujeito na frase.
Por exemplo:
“Eu me atrasei para a prova.”
“Eu” é sujeito simples, na 1.ª pessoa do singular. Portanto, o verbo “atrasar” deve ser flexionado no singular e ajustado à 1.ª pessoa, resultando em “atrasei”.
Parece simples, né?
Mas fica a dica: as bancas adoram testar a atenção do concurseiro. Por isso, é comum aparecer:
- Sujeito depois do verbo;
- Sujeito formado por pronome de tratamento, que sempre exige verbo na 3.ª pessoa.
2. Sujeito composto
Frases com sujeito composto são aquelas que têm mais de um núcleo. Quando o sujeito composto aparece antes do verbo (ordem direta), o verbo deve ir obrigatoriamente para o plural.
- Exemplo: “Maria e eu viajamos juntos.”
- Núcleos: Maria e eu;
- Verbo no plural: viajamos.
Existem, porém, casos especiais em que o sujeito composto permite concordância opcional — no plural ou com o núcleo mais próximo. Isso acontece quando o sujeito composto é posposto ao verbo ou quando é formado por sinônimos ou duplicações. Abaixo explicamos cada caso.
2.1 Sujeito composto posposto (concordância facultativa)
São frases em que o sujeito aparece depois do verbo. Nessas situações, a concordância é opcional: o verbo pode ir para o plural; ou concordar apenas com o núcleo mais próximo.
Exemplos:
- “Venceremos eu e você.” (Concordância no plural);
- “Vencerei eu e você.” (Concordância com o núcleo mais próximo — eu).
2.2 Sujeito composto por sinônimos ou duplicações
Ocorre quando os núcleos do sujeito composto são sinônimos, palavras de sentido semelhante ou uma duplicação expressiva (“a alegria e a felicidade”, “a paz e a tranquilidade”). Nesses casos, o verbo pode ficar: no plural, reconhecendo que há dois núcleos; no singular, quando a frase expressa uma ideia única, reforçada pelos termos semelhantes.
Exemplos:
- “A paz e a tranquilidade voltaram ao bairro.” (plural);
- “A paz e a tranquilidade voltou ao bairro.” (singular — ideia única reforçada).
Deixamos abaixo uma tabela comparativa para facilitar a memorização:
| Situação | Regra | Exemplo |
| Sujeito composto antes do verbo | Verbo no plural | “Maria e eu viajamos.” |
| Sujeito composto depois do verbo | Concordância opcional: plural ou núcleo mais próximo | “Venceremos eu e você.” / “Vencerei eu e você.” |
| Sujeito composto por sinônimos/duplicações | Plural ou singular (ideia única) | “A paz e a tranquilidade voltaram.” / “A paz e a tranquilidade voltou.” |
Dica para a prova: em questões de múltipla escolha, a banca costuma apresentar apenas uma forma verbal como se fosse a única correta. Quando o sujeito composto aparece depois do verbo ou quando os núcleos são sinônimos, lembre-se: as duas concordâncias são possíveis — plural ou núcleo mais próximo.
3. Verbos impessoais e orações sem sujeito
Orações sem sujeito são aquelas em que não existe um sujeito possível — não dá para identificar quem pratica a ação. Já os verbos impessoais são verbos que por natureza não admitem sujeito (como “haver” no sentido de existir e verbos que indicam fenômenos da natureza).
Nos dois casos, a regra é a mesma: o verbo fica sempre na 3ª pessoa do singular, porque não há sujeito com quem concordar.
Onde aparece:
- Fenômenos da natureza: choveu, nevou, trovejou;
- Haver no sentido de existir, ocorrer e acontecer;
- Haver (tempo decorrido);
- Fazer (tempo decorrido);
- Verbos ser, estar, passar indicando tempo;
- Verbos de fenômeno: amanheceu, entardeceu.
- Locuções com esses verbos: pode haver, deve haver.
Em resumo:
| Caso | Regra | Exemplos |
| Fenômenos da natureza | Singular | “Choveu ontem.” |
| Haver = existir / ocorrer | Singular | “Há problemas.” |
| Haver/fazer indicando tempo | Singular | “Faz três anos.” |
| Ser/estar/passar indicando tempo | Singular | “Está tarde.” |
| Locuções com verbos impessoais | Singular | “Pode haver soluções.” |
Dica para a prova: a banca gosta de perguntar “qual forma verbal está correta?” ou colocar frases para você identificar erro de concordância, especialmente envolvendo haver e locuções verbais. Regra de ouro: haver no sentido de existir nunca vai para o plural, nem em locução.
4. Expressões partitivas
Nas orações partitivas o sujeito é formado por uma expressão que indica parte de um todo, como: “a maioria de”, “a parte de”, “um grupo de”, “grande número de”, entre outros.
Nesses casos, a regra diz que o verbo pode concordar de duas formas:
- Com o núcleo da expressão partitiva (verbo no singular); ou
- Com o substantivo que vem depois dela (verbo no plural).
Por exemplo:
- “A maioria dos estudantes passou.” (concordância com “maioria”, verbo no singular);
- “A maioria dos estudantes passaram.” (concordância com “estudantes”, verbo no plural).
Essa mesma regra também vale quando o sujeito é definido por uma porcentagem, fração ou quantia, por exemplo: “50% dos alunos”; “metade dos funcionários”.
Dica para a prova: questões com partitivas costumam perguntar “qual forma está correta?” tentando induzir você a escolher apenas uma. Mas lembre-se: as duas concordâncias são aceitas, desde que se mantenha coerência com o sujeito escolhido (singular ou plural).
5. Pronome relativo “que”
O pronome relativo é a palavra que retoma um termo anterior (o antecedente) e introduz uma nova oração, unindo as ideias sem repetição. O caso mais frequente é o relativo “que”.
Quando o “que” retoma um termo que funciona como sujeito da oração seguinte, o verbo deve sempre concordar com esse termo retomado, nunca com o pronome.
Exemplos:
- “Fui eu que escrevi o texto.” (verbo concorda com eu);
- “Fomos nós que escrevemos o texto.” (verbo concorda com nós).
Dica para a prova: substitua o “que” por o qual / a qual / os quais / as quais. Se a frase continuar a fazer sentido, fica fácil identificar o antecedente — e, portanto, com quem o verbo deve concordar. Veja:
- “Fui eu o qual fez…”, logo, o verbo concorda com eu.
As bancas adoram tentar confundir, fazendo o verbo “concordar” com o que. Ignore o pronome. Volte ao antecedente e aplique a concordância diretamente com ele: essa é a forma correta — e a que garante ponto na prova.
6. “Se” apassivador ou indeterminado
A palavra “se” pode exercer duas funções que afetam diretamente a concordância verbal:
- Partícula apassivadora: transforma a frase em voz passiva sintética, equivalente a “verbo + ser + particípio”, mas de forma reduzida. Nesse caso, o objeto direto torna-se sujeito paciente, e o verbo concorda com ele;
- Índice de indeterminação do sujeito: oculta quem pratica a ação. Aqui, o verbo não tem sujeito possível e, por isso, fica singular.
Regra prática para não errar:
- Verbo transitivo direto (VTD) + SE (Partícula apassivadora): verbo no plural
(porque concorda com o novo sujeito paciente) - Verbo intransitivo (VI), transitivo indireto (VTI) ou de ligação (VL) + SE (Índice de indeterminação): verbo no singular, porque o sujeito permanece indeterminado.
Em resumo:
| Estrutura | Função do “se” | Regra do verbo | Exemplo |
| VTD + SE | Partícula apassivadora | Verbo no plural | “Vendem-se casas.” |
| VI / VTI / VL + SE | Índice de indeterminação | Verbo no singular | “Precisa-se de funcionários.” |
Dica para a prova: identifique o tipo de verbo antes do “se” — isso resolve 100% das questões.
- Se for VTD, pense em voz passiva: casas são vendidas → verbo no plural.
- Se for VI, VTI ou VL, sujeito indeterminado: verbo no singular.
A banca costuma trocar plural por singular nesses casos.
7. Conectores (“ou”, “nem”, “com)
Os conectores “ou”, “nem” e “com” podem alterar a concordância verbal dependendo do sentido que estabelecem entre os núcleos do sujeito. A banca costuma testar justamente essa relação de sentido.
A regra é a seguinte:
| Conector | Situação/ Sentido | Regra de Concordância | Exemplo |
| OU | Alternativa excludente (uma ou outra) | Verbo no singular | “Maria ou Ana vai apresentar o relatório.” |
| OU | Inclusão/possibilidade (ambas podem) | Verbo no plural | “Maria ou Ana vão ajudar na tarefa.” |
| NEM | Soma negativa (equivale a “e não”) | Verbo no plural | “Nem João nem Marcos vieram à reunião.” |
| COM | Sentido de companhia | Plural ou concordância com o núcleo mais próximo | “O diretor, com os gerentes, aprovou/aprovaram o projeto.” |
| COM | Contexto formal e objetivo | Preferência pelo plural | “O diretor, com os gerentes, aprovaram o projeto.” |
Dica para a prova: a banca tenta confundir pelo sentido do conector. Teste mentalmente:
- Há adição? Se sim, é plural.
- Há alternativa exclusiva? Então é singular.
Ufa! A lista é realmente longa, mas a boa notícia é que você já percorreu boa parte do caminho. Se está tudo certo até aqui, é hora de virar a página e conhecer as regras mais comuns da concordância nominal. Vamos nessa?
Quais as 7 principais regras de concordância nominal?
A regra geral da concordância nominal diz que adjetivos, artigos, pronomes e numerais devem concordar em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural) com o substantivo ao qual se referem. Exemplo:
“Dois casacos bonitos estão na vitrine.”
- Substantivo: “casacos”, masculino plural;
- Adjetivo: “bonitos”, masculino plural.
Repare que a frase não soaria bem se usássemos “bonitas” ou “bonito”, pois o adjetivo precisa concordar em gênero e número com o substantivo. Esse pequeno detalhe já mostra como funciona a concordância nominal, na prática.
Com isso, você já tem uma boa ideia de como aplicar a regra geral. Existem, porém, uma lista bastante extensa de casos especiais que exigem cuidado.
Mas não se preocupe! Assim como fizemos com a concordância verbal, aqui vamos focar apenas nas 7 regras que mais costumam cair em concursos:
- Adjetivo concorda com o substantivo;
- Adjetivo composto;
- Dois substantivos + um adjetivo;
- Quantificadores e advérbios de intensidade;
- Locuções como “é proibido”, “é necessário”, “é importante”;
- Pronomes indefinidos;
- Números ordinais e expressões partitivas.
Preparado(a) para entender cada uma delas? Vamos lá!
- Adjetivo concorda com o substantivo
O adjetivo é a palavra que atribui qualidade, característica, estado ou condição ao substantivo. Para manter a correção gramatical, ele deve concordar com o substantivo em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural).
Exemplo:
“Os meninos são estudiosos.”
- Substantivo: “meninos”, masculino plural;
- Adjetivo: “estudiosos”; masculino plural.
Dica para a prova: troque mentalmente o substantivo por outro de gênero ou número diferente. Se o adjetivo “não acompanhar”, se soar estranho, está errado.
- Adjetivo composto
Quando o adjetivo é formado por mais de uma palavra, a concordância depende da ligação entre os elementos, conforme a tabela abaixo:
| Situação | Regra | Exemplo |
| Adjetivo composto sem “e” | Apenas o último elemento varia; o primeiro fica invariável. | “As obras recém-publicadas chegaram.” |
| Adjetivo composto com “e” | Ambos os elementos concordam com o substantivo. | “Os livros verde e amarelo foram vendidos.” |
Dica para a prova: verifique se há “e” unindo os adjetivos. Aí é só pensar assim:
- Tem “e”? Flexione ambos;
- Não tem “e”? Flexione só o último.
- Dois substantivos + um adjetivo
Quando o sujeito tem dois núcleos e há apenas um adjetivo, ele pode concordar com ambos os núcleos ou apenas com o mais próximo, dependendo do sentido da frase. Olha só:
| Situação | Regra | Exemplo |
| Dois substantivos diferentes + ideia de soma | O adjetivo vai para o plural. | “O pai e a mãe orgulhosos chegaram cedo.” |
| Dois substantivos vistos como uma única ideia | O adjetivo concorda com o núcleo mais próximo ou fica no singular por unificação de sentido. | “A alegria e o entusiasmo contagiou o público.” (ideia única) |
Dica para a prova: pense se a frase transmite ideia única ou separada. Algumas bancas apresentam apenas uma forma como correta, então avalie o sentido.
- Quantificadores e advérbios de intensidade
Quantificadores são palavras que indicam quantidade de um substantivo — podem expressar totalidade (“todo”), parte (“alguns”), número indefinido (“muitos”) ou inexistência (“nenhum”).
Advérbios de intensidade são palavras que indicam grau ou intensidade de adjetivos, verbos ou outros advérbios. Muitas dessas palavras — como “muito”, “pouco”, “bastante” e “meio” — podem causar dúvidas porque variar ou não variar depende da função na frase: se funcionam como adjetivos, ou se funcionam como adjetivos ou determinantes.
Essa é mais chatinha mesmo, mas a tabela abaixo pode te ajudar:
| Palavra / Caso | Exemplo | Regra |
| Muito / Pouco / Bastante / Tanto (adjetivo) | “Muitas pessoas vieram.” / “Poucos alunos faltaram.” | Concordam em gênero e número com o substantivo. |
| Muito / Pouco / Bastante / Tanto (advérbio) | “Ela está muito feliz.” / “Ele corre bastante.” | Ficam invariáveis quando modificam adjetivos ou verbos. |
| Todo | “Todo aluno estudou.” / “Todos os alunos estudaram.” | Concorda com o substantivo; com artigo significa “inteiro”. Sem artigo tem sentido generalizador. |
| Algum / Nenhum / Certo / Outro | “Algumas pessoas saíram.” / “Nenhum problema ocorreu.” | Concordam em gênero e número com o substantivo. |
| Meio (advérbio) | “Ela está meio cansada.” | Invariável; significa “um pouco”. |
| Meio (numeral fracionário) | “Meia garrafa.” / “Meio copo.” | Varia em gênero. |
| Muita / pouca / bastante / tanta + gente | “Muita gente chegou cedo.” | O verbo fica no singular, porque “gente” é singular. |
Dica para a prova:
- Se a palavra intensifica algo (adjetivo, verbo ou advérbio), ela não varia. Na dúvida, substitua por “um pouco”: se funcionar, é advérbio. Não flexiona.
- Se determina um substantivo, varia. Veja se pode ser substituído por “alguns”, “algumas”, “muitos(as)”, “poucos(as)”. Se fizer sentido: flexiona.
- Locuções como “é proibido”, “é necessário”, “é importante”
Nesses casos, o adjetivo permanece invariável quando funciona como predicativo impessoal — isto é, expressa uma qualidade relacionada a uma situação geral, e não a um substantivo determinado.
Como não existe um sujeito que exija concordância, o adjetivo fica sempre no masculino singular, a menos que haja um substantivo explícito depois dele. Para entender melhor, veja a tabela abaixo:
| Situação | Exemplo | Regra |
| Sem substantivo expresso (predicativo impessoal) | “É proibido fumar.” | Adjetivo invariável (não há sujeito). |
| Com substantivo expresso | “É proibida a entrada.” | Concorda com o substantivo (“entrada”, feminino singular). |
| Com substantivo plural | “São necessárias medidas urgentes.” | “Necessárias” concorda com “medidas”, no plural. |
Dica para a prova: analise o que vem depois da locução.
- Sem substantivo? O adjetivo fica no masculino singular;
- Com substantivo? Concorde diretamente com ele — gênero e número.
- Pronomes indefinidos
Pronomes indefinidos são palavras que se referem a seres, objetos ou ideias de forma vaga, imprecisa, não determinada. Eles aparecem quando a frase cita de forma genérica, sem mencionar exatamente de “quem” ou sobre “o que” se está falando. Alguns exemplos: “alguém”, “ninguém”, “todos”, “alguns”, “nenhum”, “cada”, “qualquer”, “muito”, “pouco”, “certo”, “outro”.
A regra de concordância diz que esse tipo de palavra deve concordar com o substantivo a que se referem. Como em:
- “Algumas alunas participaram do evento.” (feminino plural);
- “Nenhum aluno faltou à prova.” (masculino singular).
Dica para a prova: observe sempre o substantivo que acompanha o pronome; muitas questões tentam confundir usando plural incorreto.
- Números ordinais e expressões partitivas
Números ordinais são palavras que indicam a ordem de elementos numa sequência: primeiro, segunda, terceiro, vigésima, centésimo, e assim por diante. Eles sempre concordam em gênero e número com o substantivo.
Já as expressões partitivas indicam parte de um todo, como: “a maioria de”, “a minoria de”, “a parte de”, “um grupo de”, “metade de”, “boa parte de”, “a maior parte de”, “grande número de”, entre outras.
A concordância nas partitivas depende do sentido da frase:
- Ideia de unidade (coletivo como bloco): verbo e adjetivo ficam no singular;
- Ideia de pluralidade (indivíduos dentro do grupo): verbo e adjetivo ficam no plural.
Veja os exemplos com regra aplicada abaixo:
| Situação | Exemplo | Regra (nominal) |
| Ideia de unidade (coletivo como bloco) | “A maioria dos alunos estava satisfeita.” | O adjetivo concorda com maioria (feminino singular). |
| Ideia de pluralidade (os indivíduos do grupo) | “A maioria dos alunos estavam satisfeitos.” | O adjetivo concorda com alunos (masculino plural). |
Dica para a prova: se estiver em dúvida, se pergunte se a frase está falando de um grupo como um todo (como unidade) ou das pessoas dentro dele.
- Se a frase enfatiza o grupo como bloco, concorde no singular;
- Se a frase enfatiza os indivíduos, concorde no plural, mesmo que a palavra “maioria” ou “parte” esteja no singular.
E então, tudo certo até aqui? Sabemos que o conteúdo é extenso, mas, dominando essas 14 regras, você já está muito à frente da maioria dos candidatos.
Para fechar esta etapa com chave de ouro, preparamos dois bônus valiosos: uma lista dos erros de concordância que mais caem em concursos e um conjunto de dicas práticas de estudo para te ajudar a consolidar tudo o que aprendeu. Vamos a eles?
Quais são os erros mais comuns de concordância em provas de concurso?
Não basta decorar a regra e saber aplicá-la. Na hora da prova, é preciso ter atenção redobrada para não cair em pegadinhas — e as bancas adoram criar construções que soam naturais, mas estão erradas.
Em concordância verbal e nominal, é muito comum que o candidato seja induzido ao erro por detalhes sutis, como inversões, termos intercalados, palavras atrativas ou coletivos.
Para evitar esses tropeços, vale conhecer os erros que mais derrubam concurseiros. Assim, você treina o olhar e ganha segurança para reconhecer rapidamente o que está certo e o que está errado.
Comecemos por 10 erros bastante comuns de concordância verbal. Olha só:
| Regra | Pegadinha típica da banca | Certo | Errado | Por quê? |
| 1. Sujeito simples | Pluralizar o verbo porque o sujeito vem depois ou aparece longe. | “Falta um minuto para as apresentações.” | “Faltam um minuto para as apresentações.” | O sujeito é “um minuto”, no singular. Termos no plural próximos não importam. |
| 2. Sujeito composto — verbo depois do sujeito | Fazer você concordar apenas com o termo mais próximo, ignorando que ele é parte de um sujeito composto. | “Chegaram o gerente e os funcionários.” | “Chegou o gerente e os funcionários.” | O sujeito é composto (“o gerente e os funcionários”), portanto o verbo deve ir para o plural quando posposto ao verbo. |
| 3. Sujeito composto anteposto | Induzir ao singular. | “O gerente e o analista apresentaram o relatório.” | “O gerente e o analista apresentou o relatório.” | Se há sujeito composto antes do verbo, o verbo obrigatoriamente fica no plural. |
| 4. Sujeito composto posposto (facultativo) | Tratar o plural como obrigatório. | “Chegaram o gerente e os estagiários.” ou “Chegou o gerente e os estagiários.” | — | Sujeito composto depois do verbo admite plural ou concordância com o núcleo mais próximo. |
| 5. Verbos impessoais (haver/fazer/tempo/clima) | Flexionar no plural porque há objetos plurais. | “Há muitos candidatos.” / “Faz cinco anos.” | “Haveram muitos candidatos.” / “Fazem cinco anos.” | Verbos impessoais (sem sujeito) ficam sempre no singular. |
| 6. Percentuais e frações | Concordar com o número da porcentagem. | “10% da população vai votar.” | “10% da população vão votar.” | O verbo concorda com “população” (coletivo), não com o numeral. |
| 7. “Se” apassivador × “se” indeterminador | Trocar plural por singular (ou vice-versa). | “Vendem-se casas.” / “Precisa-se de funcionários.” | “Vende-se casas.” / “Precisam-se de funcionários.” | VTD + se é plural (passiva). VI/VTI + se é singular (indeterminação). |
| 8. Conectores “ou”, “nem”, “com” | Ignorar o sentido do conector. | “Maria ou Ana vai.” (exclusão) / “Maria ou Ana vão.” (inclusão) | “Maria ou Ana vão.” (quando exclusão) | “Ou” pode ser singular ou plural a depender do sentido. |
| 9. Pronomes de tratamento | Flexionar o verbo como 2.ª pessoa. | “Vossa Excelência decidiu o caso.” | “Vossa Excelência decidiste…” | Em frases com pronome de tratamento, o verbo sempre na 3.ª pessoa. |
| 10. Verbos impessoais em locução | Pluralizar por causa do auxiliar. | “Deve haver soluções.” | “Devem haver soluções.” | O verbo principal é “haver” impessoal, portanto, se mantém singular, mesmo com auxiliar. |
Agora que vimos os verbais, vamos passar a lista de 10 erros comuns de concordância nominal. Olha só:
| Regra | Pegadinha típica da banca | Certo | Errado | Por quê? |
| 1. Adjetivo concorda com o substantivo | Induzir a concordância com a palavra mais próxima, ignorando o núcleo. | “O grupo de pessoas chegou cedo.” | “O grupo de pessoas chegaram cedo.” | O adjetivo deve concordar com o substantivo núcleo (“grupo”). |
| 2. Adjetivo composto (só o último varia) | Flexionar todos os elementos do adjetivo composto. | “Medidas sócio-econômicas importantes.” | “Medidas sócios-econômicas importantes.” | Em adjetivos compostos, apenas o último elemento varia. |
| 3. Dois substantivos + um adjetivo posposto | Forçar o singular mesmo com dois núcleos. | “O pai e a mãe orgulhosos chegaram.” | “O pai e a mãe orgulhosa chegaram.” | Com dois substantivos seguidos de adjetivo, ele vai para o plural. |
| 4. Quantificadores variáveis (bastante, muito, pouco) | Manter quantificadores invariáveis quando funcionam como adjetivo. | “Havia bastantes opções.” | “Havia bastante opções.” | Quando modificam substantivo, concordam em número (singular/plural) e, se for adjetivo, também em gênero. |
| 5. Advérbios invariáveis (meio, bastante como advérbio) | Flexionar advérbio como se fosse adjetivo. | “Ela ficou meio tensa.” | “Ela ficou meia tensa.” | “Meio” é advérbio, não varia. |
| 6. Locuções: “é proibido/necessário/importante” | Ignorar o gênero do substantivo | “É proibida a entrada de animais de estimação” | “É proibido a entrada de animais de estimação” | O adjetivo “proibida” concorda com o substantivo “entrada”, que é feminino singular. |
| 7. Pronomes indefinidos (algum, nenhum, todo, qualquer) | Alterar a concordância sem perceber | “Qualquer candidato que compareça ao local no horário determinado poderá realizar a prova.” | “Alguns dos documentos apresentava divergências.” | O verbo deveria ir para o plural porque o núcleo lógico do sujeito é “alguns (documentos)”, não “dos documentos” |
| 8. Números ordinais | Concordância de número ordinal com substantivos coletivos ou compostos | “O primeiro e segundo lugares receberam medalhas.” | “O primeiro e o segundo lugar receberam medalhas.” | Quando há dois ou mais elementos distintos, o substantivo deve ir para o plural ou o ordinal deve ser repetido para cada um. |
| 9. Expressões partitivas (maioria, parte, grupo) | Concordância com expressões partitivas pode confundir: o verbo pode concordar com o núcleo da expressão (“maioria”, “parte”) ou com o complemento. | “A maioria dos alunos estudou para a prova.” | “A maioria dos alunos estudaram para a prova.” | O verbo deve concordar com o núcleo da expressão partitiva (“maioria”), que está no singular, mesmo que o complemento esteja no plural. |
| 10. Substantivo coletivo + numeral | Fazer o numeral concordar com o plural do complemento | “Um grupo de três alunos foi escolhido.” | “Um grupo de três alunos foram escolhido.” | O verbo/numeral concorda com o núcleo do coletivo (“grupo”), singular. |
Como estudar concordância verbal e nominal para concurso?
Após conhecer as regras mais importantes de concordância verbal e nominal e aprender a identificar as pegadinhas mais comuns das bancas organizadoras, é hora de colocar esse conhecimento em prática e começar a se preparar de forma efetiva para o seu exame.
Para facilitar o estudo, organizamos uma série de dicas práticas em três etapas: exercícios, simulados e revisão. Cada etapa traz estratégias direcionadas para que você fixe as regras e reconheça padrões na hora de responder às questões da prova.
Bora conferir como aplicar cada uma dessas etapas?
Exercícios
Resolver questões práticas ajuda a fixar o conteúdo, identificar onde você tem mais dificuldade e treinar o raciocínio rápido. Algumas dicas básicas que podem te ajudar nessa etapa, incluem:
- Resolva exercícios de concursos anteriores: isso te ajuda a se familiarizar com o estilo das questões e os temas mais cobrados. A repetição não apenas te ajuda a identificar padrões, como te ajuda a encontrar seus pontos fracos;
- Identifique padrões e leia com atenção os enunciados: muitas bancas repetem formatos ou pegadinhas que testam a atenção ou tentam induzir ao erro. Fique atento a detalhes sutis, como palavras “não”, “exceto” ou “apenas”;
- Encontre o sujeito e o núcleo da questão: treine a identificação do sujeito, pergunte-se qual é o núcleo e se vem antes ou depois do verbo. Atenção a detalhes como singular/plural, partitivos, coletivos, entre outros;
- Crie frases próprias e explique a resposta: use as regras estudadas para formar frases e verifique se estão corretas. Troque o sujeito ou o núcleo e observe como muda a concordância — isso ajuda a fixar como a regra funciona.
Simulados
Já ouviu falar que é fazendo que se aprende, né? Para concursos bancários, isso é ainda mais verdadeiro. Praticar simulados é a melhor forma de testar seus conhecimentos e, sobretudo, de se adaptar ao estilo da banca. Algumas dicas que podem te ajudar aqui:
- Faça simulados todas as semanas: a regularidade ajuda a medir sua evolução e a aprimorar o controle do tempo;
- Use simulados atualizados: provas recentes refletem melhor o estilo, o nível de dificuldade e as pegadinhas da banca. Além disso, evitam que você estude temas que já não caem mais;
- Simule o ambiente real: faça o simulado sem pausas, sem consulta e com cronômetro — isso melhora o desempenho no dia da prova, porque você já estará melhor habituado(a) ao ritmo e à pressão;
- Mantenha um caderno de “erros”: sempre que errar uma questão, anote a frase, a regra envolvida e o motivo do erro. Isso ajuda a identificar padrões e conteúdos que ainda precisam de revisão.
Revisão
Por fim, depois de estudar as regras e praticar simulados, é hora de separar um tempinho para rever tudo. A revisão serve não apenas para garantir que as regras foram realmente compreendidas, mas também para reforçar os pontos fracos. Algumas dicas que podem te ajudar aqui incluem:
- Revisar regras fundamentais: há muitas regras de concordância, mas elas representam só um pequeno tópico dentro da prova. Para não perder tempo ou se saturar, foque só naquelas mais cobradas pela banca;
- Faça flashcards: cartões de estudo com perguntas na frente e respostas no verso forçam o cérebro a recordar ativamente a informação — o que fixa muito mais do que apenas reler o conteúdo;
- Priorize a revisão de pegadinhas e casos especiais: são eles que mais derrubam candidatos;
- Explique por que as questões do caderno de erros estão erradas: explique em voz alta ou no papel a causa do erro. Ao entender o motivo, você evita repeti-lo.
Pronto! Ao estudar as regras, conhecer as pegadinhas e aplicar essas dicas, pode ter certeza: você estará muito mais preparado(a) para acertar até as questões mais traiçoeiras da prova.
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