Hoje em dia, escrever uma boa redação para concurso tem sido muito importante.
Péssima forma de começar um texto, concorda? Primeiramente, porque já faz anos que começar algo com “hoje em dia” é extremamente batido. Além disso, a frase que vem a seguir é rasa e óbvia — é claro que escrever uma boa redação em um concurso é importante, já que conta pontos e, muitas vezes, essa etapa é até eliminatória.
São erros assim que diminuem a sua nota na redação em concursos e fazem com que a concorrência passe na sua frente. Então, se você é daqueles que deixa essa parte do exame de lado por achar que “na hora da prova você se vira”, recomendamos fortemente que continue a leitura e aprenda:
- Como fazer uma boa redação para o concurso público;
- Quais são os 4 pilares da redação;
- Quais são as 3 regras da redação;
- O que evitar em redação para concurso.
Por aqui, listamos vários exemplos práticos, dicas úteis e recomendações específicas para as bancas organizadoras mais populares. E não é só isso: no fim, deixamos uma sugestão de onde estudar para concursos e conquistar seu cargo público.
Bora?
Como fazer uma boa redação para o concurso público?
Fazer uma boa redação é pura técnica: a ideia não é só “ser criativo”, mas cumprir critérios objetivos de avaliação usados pelas principais bancas.
Isso envolve clareza, estrutura, coerência, domínio gramatical e capacidade argumentativa dentro de um limite de linhas e com tempo curto.
A boa notícia é que redação para concurso é sobre método, então, se você entender a dinâmica da tarefa e treinar certas habilidades, a redação fica mais previsível.
Abaixo, listamos 10 dicas que vão transformar a forma como você tem escrito suas redações.
1 – Entenda o tipo de texto exigido pela banca
A Cebraspe costuma exigir um texto dissertativo-argumentativo clássico, com tese explícita e argumentos sólidos. A FGV varia: às vezes pede dissertação, às vezes texto expositivo-interpretativo. A FCC, por outro lado, gosta de estruturas formais e previsíveis. Já a Vunesp costuma ser mais direta, com temas objetivos.
Percebe como a tarefa muda bastante de uma banca para a outra? A chave é ler o edital e as redações-modelo divulgadas por aí.
Além disso, cada banca tem certos padrões na hora de estabelecer os temas que vão ser exigidos dos candidatos. Por exemplo: a Cesgranrio normalmente apresenta temas ligados à cidadania, à tolerância e à tecnologia. Já a FGV gosta de abordagens mais sociológicas.
Quando você estuda esses padrões e treina bastante em casa, tem mais confiança na sua entrega.
2 – Leia o comando da prova com atenção
Toda banca informa o que você deve fazer na redação — tese, posição, argumentos, intervenção e por aí vai. Se a Cebraspe pede “posicione-se a favor ou contra”, não adianta fazer um texto neutro. Se a FCC pede “explique e discuta”, você precisa obrigatoriamente cumprir essas duas tarefas.
Um erro comum é responder “o que você quer dizer” e não “o que a banca pediu para dizer”. Por isso, na dúvida, grife verbos como “analise”, “discuta”, “argumente”, “explique” ou “proponha”. Essa leitura atenta evita que você fuja do tema — erro gravíssimo em todas as bancas e que vai jogar a sua nota lá embaixo.
3 – Construa uma tese clara e objetiva
A tese é a posição que você vai defender ao longo do texto. Bancas como FCC e Cebraspe valorizam teses diretas, sem rodeios. Nada de frases imensas ou opiniões vagas como “O tema é muito importante para a sociedade atual”.
Uma boa tese diz exatamente o que você pensa sobre o problema.
Por exemplo, imagine entregar um texto assim:
““A desinformação no Brasil é um problema muito grande e precisa de várias coisas para melhorar, como ensinar as pessoas melhor e também ter sites que chequem as notícias porque hoje em dia as fake news estão muito presentes nas vidas dos brasileiros.”
Os problemas nesse trecho não são poucos:
- A frase está enorme, sem nenhum ponto no meio para dar fôlego ao leitor;
- As afirmações são vagas — “é um problema muito grande” não diz nada, por exemplo;
- O vocabulário é pobre e impreciso, com expressões genéricas como “umas coisas”, “uns negócios”, “tudo muito difícil”, que não demonstram domínio do tema;
- A construção é coloquial demais, usando termos informais que não se encaixam no padrão exigido por nenhuma banca;
- Não há tese clara, porque o texto não apresenta uma posição objetiva. Ele apenas reclama do problema sem dizer exatamente o que deve ser feito nem por quê;
- Ausência de precisão temática, pois não está claro como a solução seria implementada, qual o papel do Estado ou da sociedade, ou quais políticas seriam adotadas.
Agora, veja uma versão melhorada da mesma ideia:
“O combate à desinformação no Brasil exige políticas de educação midiática e fortalecimento dos mecanismos de verificação de fatos”. Muito mais simples, clara e alinhada ao tema. Concorda?
4 – Estruture sua redação com começo, meio e fim
A estrutura clássica de uma redação para concurso é a seguinte:
- Introdução (apresenta a tese);
- Desenvolvimento (2 parágrafos argumentativos);
- Conclusão (fecha com coerência).
Quando for escrever a sua, evite criar parágrafos longos demais. Se você notar que está se perdendo no raciocínio, analise onde um ponto final cairia bem para separar frases muito longas.
Além disso, mantenha cada parágrafo entre 5 e 7 linhas. Afinal, isso facilita a leitura de quem vai ler sua redação e melhora a sua nota de coesão.
Dica extra: não comece a redação com expressões batidas, como “atualmente” e “hoje em dia”, nem conclua o texto desse modo, usando “concluo que” e similares. Explore formas mais originais de expressar e fechar ideias.
5 – Use argumentos concretos e verificáveis
As bancas gostam de textos embasados. Você não precisa citar leis ou dados precisos (a não ser que saiba realmente), mas precisa usar argumentos sólidos. Alguns exemplos úteis incluem impactos sociais, consequências econômicas, políticas públicas, jurisprudência, debates atuais.
Para a Cebraspe, por exemplo, é fundamental demonstrar consistência lógica. Textos vazios, cheios de frases genéricas, derrubam pontos. Prefira argumentos reais, verificáveis e conectados ao tema — desde que você saiba do que está falando.
Dica extra: além de se preparar do jeito “tradicional” para um concurso, treinando a redação e estudando questões, fique de olho em atualidades, notícias e assuntos do momento. Em geral, eles se tornam temas de redação e, nessa hora, ter conhecimento prévio do assunto faz toda a diferença no seu texto.
6 – Faça conexão clara entre tese e argumentos
Cada parágrafo de desenvolvimento deve sustentar sua tese e trabalhar um recorte argumentativo. Se a tese aponta duas causas ou duas soluções, cada parágrafo desenvolve uma delas. Bancas como a FCC valorizam textos linearmente organizados, assim: começo → justificativa → exemplo → fechamento.
Para te ajudar, criamos essa tabela com conectores para usar nos seus textos:
| Função no parágrafo | Para que serve | Conectores recomendados | Exemplo de uso |
| Iniciar o argumento | Introduzir o recorte que será desenvolvido | “Inicialmente”, “Em primeiro lugar”, “Primeiramente”, “Antes de tudo” | “Inicialmente, é importante destacar que a falta de educação midiática aumenta a vulnerabilidade da população à desinformação.” |
| Apresentar a justificativa | Explicar por que o argumento faz sentido | “Isso ocorre porque”, “Devido a”, “Em razão de”, “Justifica-se pelo fato de que” | “Isso ocorre porque grande parte dos usuários consome conteúdos sem avaliar a credibilidade das fontes.” |
| Acrescentar uma ideia | Expandir o argumento sem mudar o foco | “Além disso”, “Ademais”, “Outro ponto relevante é que”, “Somado a isso” | “Além disso, a ausência de políticas públicas consistentes amplia o alcance das fake news.” |
| Dar exemplo concreto | Tornar o argumento verificável e mais forte | “Por exemplo”, “Como se observa em”, “Um caso ilustrativo é”, “Como demonstra” | “Por exemplo, ataques coordenados de desinformação em períodos eleitorais já comprometeram debates públicos relevantes.” |
| Apresentar contraponto leve (se necessário) | Mostrar maturidade argumentativa sem quebrar a coerência | “Embora”, “Apesar de”, “Ainda que”, “Mesmo que” | “Embora redes sociais tenham avançado no combate aos conteúdos falsos, o volume de informações ainda é desafiador.” |
| Fechar a ideia | Concluir o parágrafo e conectar com a tese | “Portanto”, “Assim”, “Dessa forma”, “Em síntese”, “Consequentemente” | “Dessa forma, investir em educação midiática torna-se essencial para reduzir o impacto da desinformação.” |
7 – Conclusão não é resumo, é fechamento lógico
A conclusão deve retomar sua tese e amarrar as ideias, não apenas repetir o que já foi dito. Você pode propor soluções, indicar caminhos, alertar para consequências ou reforçar sua posição. Atenção: muitas bancas não permitem conclusão propositiva no estilo ENEM. Elas preferem fechamento lógico simples.
Veja a diferença entre uma e outra:
- Conclusão estilo ENEM (propositiva): “Assim, para reduzir o avanço da desinformação, é indispensável que escolas incluam educação midiática em suas rotinas e que as plataformas digitais aperfeiçoem seus sistemas de checagem, ampliando o acesso da população a informações confiáveis.”;
- Conclusão estilo Concursos (fechamento lógico): “Diante disso, fortalecer a educação midiática e aprimorar a checagem de fatos desponta como fundamental para limitar a influência da desinformação e preservar a qualidade do debate público.”
8 – Treine com temas reais das bancas
Quem quer construir segurança precisa treinar com temas passados. As bancas têm padrões claros: Cebraspe gosta de cidadania, tecnologia e democracia. FCC usa temas mais institucionais. Cesgranrio aborda ética, convivência e diversidade. FGV adora temas filosóficos ou comportamentais.
Quando você escreve dentro do “estilo da banca”, sua redação fica naturalmente mais alinhada aos critérios de correção. Aqui vão alguns temas que já passaram pelas bancas organizadoras:
- “A importância da competência de leitura para o exercício da cidadania na era digital” (Cebraspe);
- “Segurança pública e armas: papel da polícia e políticas de controle” (Cebraspe);
- “Existe racismo estrutural no Brasil?” (Cesgranrio);
- “O impacto das redes sociais no comportamento coletivo” (FGV);
- “A importância da ética nas relações interpessoais e institucionais” (FGV);
- “Desafios da inclusão social no Brasil contemporâneo” (FGV).
9 – Revise erros de português que custam pontos
Erros gramaticais são descontados em todas as bancas. Os mais comuns são:
- Regência;
- Concordância;
- Paralelismo;
- Acentuação;
- Vírgula antes de oração subordinada;
- Pronomes relativos;
- Crase.
Dica extra: tenha um cuidado especial com conectivos e repetições — isso costuma derrubar pontos em critérios de coesão e estilo.
10 – Treine com limite de tempo e de linhas
A maioria das bancas dá de 20 a 30 linhas para você escrever sua redação. Quem não treina dentro desse limite perde proporção e arrisca fuga ao tema. Em casa, treine fazendo redações em 25–30 minutos, para simular o dia da prova.
Com o tempo, você desenvolve ritmo, precisão e capacidade de pensar enquanto escreve.
Dica extra: nos seus treinos em casa, aproveite para otimizar o tempo que você leva para ler e interpretar o enunciado da redação, que traz a proposta do que deve ser escrito. Além de te ajudar a economizar alguns minutos no dia do concurso, a prática serve para você não confundir o que está sendo pedido.
Quais são os 4 pilares da redação?
Os quatro pilares da redação — clareza, coerência, coesão e correção gramatical — são critérios formais de avaliação usados por praticamente todas as bancas.
Abaixo, explicamos cada um deles.
1 – Clareza
A clareza é a capacidade de escrever de modo compreensível. O corretor precisa entender sua tese, seus argumentos e sua conclusão sem esforço. Frases longas, termos técnicos desnecessários e ideias vagas diminuem a clareza e derrubam nota.
Para ser claro, prefira frases curtas, vocabulário preciso e estruturas simples. Bancas como a FCC são extremamente exigentes nesse ponto: qualquer ambiguidade custa ponto.
Quer um exemplo prático? Veja essa frase: “Considerando a complexidade das transformações sociotecnológicas que atravessam a vida contemporânea e impactam de maneira multifacetada as interações humanas, observa-se que é preciso pensar políticas públicas capazes de modificar esse cenário de forma significativa.”
Difícil de ler e entender, concorda? Agora, veja uma versão mais clara da mesma ideia:
““As mudanças tecnológicas têm alterado a forma como as pessoas convivem. Por isso, é importante discutir políticas públicas que reduzam seus efeitos negativos.”
Bem melhor!
2 – Coerência
A coerência é a lógica interna do texto. Suas ideias precisam fazer sentido entre si — tese, argumentos e conclusão devem estar alinhados. Contradições explícitas, ideias soltas e argumentos desconectados são erros típicos e penalizados.
Para manter coerência, cada parágrafo deve seguir a mesma linha de raciocínio e apoiar explicitamente a tese.
Veja esse comparativo entre uma estrutura boa e uma não tão boa assim com o mesmo tema — acessibilidade e open banking:
| Parte do texto | Exemplo incoerente | Exemplo coerente |
| Introdução | “O open banking é uma inovação moderna que pode ajudar muita gente, mas existem vários problemas na sociedade, como o uso excessivo de redes sociais e a falta de hospitais, o que torna difícil falar desse assunto.” | “O open banking tem potencial para ampliar a acessibilidade financeira ao permitir que pessoas com diferentes perfis tenham mais controle sobre seus dados e mais opções de serviços bancários.” |
| Desenvolvimento 1 | “A acessibilidade é importante porque envolve rampas, calçadas e transporte público. Além disso, alguns bancos já estão investindo em inteligência artificial, o que melhora a produtividade das empresas.” | “Um dos principais ganhos do open banking para a acessibilidade financeira é a possibilidade de comparar ofertas de crédito e serviços em diferentes instituições, ampliando as escolhas de consumidores que antes tinham poucas opções.” |
| Desenvolvimento 2 | “Outro ponto é que muitos brasileiros não sabem usar o Pix, e isso mostra como o futebol precisa de mais investimentos. Por outro lado, os bancos digitais estão crescendo bastante.” | “Além disso, ao permitir que dados financeiros sejam compartilhados com segurança e consentimento, o open banking favorece a inclusão de pessoas com histórico limitado no sistema bancário, aumentando suas chances de obter crédito e participar da economia formal.” |
| Conclusão | “Portanto, o open banking é algo que precisa de mais debates e também seria bom se as cidades investissem mais em ciclovias para melhorar a qualidade de vida das pessoas.” | “Diante disso, o open banking se apresenta como uma ferramenta relevante para ampliar a acessibilidade no sistema financeiro, oferecendo mais autonomia aos usuários e fortalecendo a competição entre instituições.” |
3 – Coesão
Coesão é a ligação entre as partes do texto. Palavras como “assim”, “além disso”, “portanto” e “entretanto” servem para conectar frases e parágrafos. Sem coesão, o texto fica picado e perde fluidez, algo severamente penalizado por Cebraspe, FCC e FGV.
Aqui vai uma lista completa de conectores para você nunca mais ficar sem ideias na hora de escrever:
- Conectores de adição: além disso, ademais, também, do mesmo modo, igualmente, da mesma forma, ainda, bem como, somado a isso;
- Conectores de oposição: entretanto, no entanto, todavia, por outro lado, em contrapartida, apesar disso, mesmo assim, contudo, embora, ainda que;
- Conectores de causa: porque, uma vez que, visto que, já que, dado que, em razão de, devido a, como (no início da frase, com sentido causal);
- Conectores de consequência: portanto, assim, logo, por isso, desse modo, dessa forma, em consequência, como resultado;
- Conectores de conclusão: por fim, em síntese, em conclusão, desse modo, logo, percebe-se que;
- Conectores de exemplificação: por exemplo, como ilustração, a título de exemplo, entre eles, tal como, isto é;
- Conectores de comparação: assim como, tal qual, do mesmo modo que, da mesma forma que, tanto… quanto, mais… do que, menos… do que;
- Conectores de organização textual: primeiramente, em primeiro lugar, em seguida, posteriormente, por outro lado, por fim;
- Conectores de reforço argumentativo: vale ressaltar que, é importante destacar que, convém lembrar que, não se pode ignorar que, cabe mencionar que.
4 – Correção gramatical
A correção gramatical é o domínio das regras da língua portuguesa: ortografia, acentuação, concordância, regência, pontuação e colocação pronominal. Temos aqui o pilar mais técnico da redação, e também o mais objetivo na hora da correção. Afinal, erros gramaticais são facilmente identificáveis, então é claro que costumam gerar descontos diretos na nota.
Diferentemente da clareza ou da coerência, que envolvem análise interpretativa, a correção gramatical é mensurável. Um erro de concordância, por exemplo, não depende da opinião do corretor — ele simplesmente está errado. Por isso, dominar as regras básicas é uma forma segura de proteger sua pontuação.
Veja alguns erros comuns que derrubam nota:
- Concordância verbal:
- Errado: “Os problemas da sociedade aumentou nos últimos anos.”
- Certo: “Os problemas da sociedade aumentaram nos últimos anos.”
- Concordância nominal:
- Errado: “Medidas públicas eficaz é necessário.”
- Certo: “Medidas públicas eficazes são necessárias.”
- Crase:
- Errado: “O acesso à serviços bancários é limitado.”
- Certo: “O acesso a serviços bancários é limitado.”
- Pontuação excessiva ou mal posicionada:
- Errado: “O open banking, é uma ferramenta importante.”
- Certo: “O open banking é uma ferramenta importante.”
Importante: pequenos deslizes isolados não costumam zerar esse critério, mas erros recorrentes passam a impressão de descuido e prejudicam a avaliação global do texto.
Para melhorar a correção gramatical, a gente recomenda que você:
- Revise sempre com foco específico em concordância e pontuação.
- Leia o texto em voz alta para identificar construções estranhas.
- Mantenha frases mais curtas (quanto mais complexa a estrutura, maior a chance de erro).
Quais são as 3 regras da redação?
As três regras universais para concursos, defendidas pelas principais bancas, são: respeitar o tema, respeitar o gênero e respeitar o limite estrutural.
Bastante simples, não é? Abaixo, explicamos mais sobre o que as bancas esperam de você na redação.
1 – Respeitar o tema
Fugir do tema proposto é o erro mais grave possível. Todas as bancas cortam drasticamente pontos quando alguém escreve sobre algo que não foi pedido, seja em relação ao assunto em si ou ao estilo do texto. Isso vale tanto para fuga total quanto para parcial.
Como evitar: releia o comando da prova antes e depois de escrever a introdução. Assim, você garante que está respondendo exatamente ao que foi solicitado. Destaque palavras do enunciado que sirvam de orientação para o texto e volte nelas quantas vezes for necessário.
Dica extra: treinar a redação em casa te ajuda a entender com mais rapidez o que está sendo proposto na prova real.
2 – Respeitar o gênero textual
Se a banca pede uma dissertação argumentativa, você precisa apresentar tese e argumentação. Se pede texto expositivo, você explica sem defender posição. Errar o gênero derruba a nota de conteúdo e estrutura, e cometer esse equívoco é mais comum do que você imagina.
Na dúvida, sempre confira no edital e nas provas anteriores qual é o gênero cobrado. A FCC e o Cebraspe são extremamente criteriosos nesse ponto.
3 – Respeitar o limite estrutural
Isso inclui número de linhas, tamanho do texto, margens e formatação. Textos abaixo ou acima do limite são penalizados. Além disso, a estrutura interna — introdução, desenvolvimento e conclusão — também deve ser respeitada.
É por isso que reforçamos que, nos seus treinos, considere o espaço físico da prova real também, para ter certeza de que você está respeitando os limites de proporção e organização. Não se esqueça de simular o tempo real do exame também, para descobrir técnicas de escrita que caibam no tempo que você terá no dia do exame.
O que evitar em redação para concurso?
Os erros que mais custam pontos em redações para concursos são:
- Erros gramaticais;
- Problemas de estrutura;
- Fuga ao tema;
- Erros de coesão e conexão;
- Vocabulário inadequado;
- Exemplos proibidos ou inadequados;
- Problemas de caligrafia e apresentação.
A seguir, entramos em detalhes sobre cada um deles e ainda listamos os erros mais comuns nas provas de cada uma das principais bancas organizadoras.
Erros gramaticais
Veja só: estudar gramática não é importante apenas para as provas de Língua Portuguesa dos concursos, mas também para não perder pontos na redação (e até mesmo nas questões discursivas, quando houver).
Aqui, os erros que mais descontam pontos das notas dos concurseiros são:
- Concordância verbal e nominal incorreta;
- Regência inadequada;
- Uso errado de crase;
- Pontuação deficiente, especialmente vírgula entre sujeito e verbo;
- Acentuação incorreta;
- Construções truncadas e frases sem sentido.
Problemas de estrutura
Uma redação para concurso é pura técnica. Mais do que saber escrever corretamente, é preciso obedecer à dinâmica esperada de você. No quesito estrutura, esses são os problemas mais comuns:
- Falta de tese na introdução;
- Desenvolvimento sem argumentação;
- Conclusão que foge do tema ou apenas repete a tese;
- Parágrafos muito longos ou muito curtos;
- Texto fora do gênero textual exigido.
Fuga ao tema
Fuja do tema proposto e veja seus pontos caírem drasticamente. Uma boa redação começa pela interpretação correta do que está sendo proposto, portanto, evite:
- Tratar o tema tangencialmente;
- Ignorar verbos-chave do enunciado (“analise”, “explique”, “discuta” e “compare”, por exemplo);
- Apresentar opiniões que não respondem ao problema em questão;
- Misturar assuntos sem relação direta com o tema.
Dica extra: transformar a leitura em um hábito te ajuda a afiar sua habilidade de interpretação. Mas atenção — prefira materiais mais complexos, como artigos, jornais, revistas e livros.
Erros de coesão e conexão
Sem conectivos, seu texto fica “seco” e desconectado. Com conectivos demais, fica difícil de ler e atrapalha o fluxo de ideias. Por isso, encontre o equilíbrio e evite:
- Falta de conectivos;
- Uso excessivo de conectivos repetidos;
- Quebra brusca de ideias;
- Repetição de palavras por falta de vocabulário.
Vocabulário inadequado
Embora você não precise ser exageradamente formal e se perder usando termos muito complexos, também não é o ideal escrever da mesma maneira como você fala no dia a dia. Por isso, deixe de lado:
- Expressões informais demais, como gírias;
- Jargões sem necessidade;
- Generalizações vazias (“hoje em dia a sociedade está muito moderna”);
- Citações clichês (“desde os primórdios da humanidade…”).
Dica extra: se uma frase vazia ou clichê demais vir à mente enquanto você estiver escrevendo, se pergunte o que exatamente você está tentando dizer, ou a que está se referindo. Esse exercício mental é breve e te ajuda a deixar seu texto mais específico.
Exemplos proibidos ou inadequados
Trazer estatísticas e citar leis ou autores dá um up na sua redação, mas você deve fazer isso apenas se tiver certeza do que está mencionando. Afinal, vai perder pontos se:
- Inventar dados, leis ou artigos;
- Citar fake news ou informações duvidosas;
- Trazer opiniões pessoais emotivas sem fundamentação;
- Argumentos desconectados da realidade social brasileira.
Problemas de letra e apresentação
A estética também conta. Afinal, se a pessoa avaliadora não conseguir ler o seu texto, como vai te avaliar? Por isso, tome cuidado com:
- Letra ilegível;
- Emendas grosseiras;
- Rasuras excessivas.
- Falta de margens;
- Texto fora do espaço delimitado.
Dica extra: antes de cada parágrafo, deixe aquele breve espaço antes de começar a frase, ok? Além disso, na hora de treinar para a redação, dê uma atenção especial à separação de sílabas, para que um erro do tipo não desconte pontos da sua nota.
Erros específicos por banca
Aqui, listamos alguns dos erros mais comuns em cada uma das principais bancas de concursos. Olha só:
- Cebraspe: contradições lógicas, argumentação fraca e falta de objetividade;
- FGV: estrutura rebuscada sem clareza, e frases longas e mal articuladas;
- FCC: é uma banca bem técnica, então qualquer erro gramatical mínimo já compromete a nota;
- Cesgranrio: falta de progressão lógica e de exemplos concretos;
- Vunesp: fuga parcial ao tema, e inconsistência entre introdução e conclusão.
Dica extra: as bancas sempre divulgam redações-modelo e relação de temas de editais anteriores. Usar esses materiais para estudar traz um panorama bem realista e confiável do que você deve fazer no dia do concurso.
Já podemos sentir a sua aprovação chegando
Além de te ensinar a escrever uma excelente redação para concurso público, temos ainda uma ferramenta para te ajudar a se preparar de uma vez e mandar muito bem no exame: questões comentadas em vídeo, baseadas nas provas dos últimos 10 anos dos principais concursos bancários do país. Topa conhecer?
Sabia que somos a única plataforma que te dá essa ajuda? Nos vemos lá!

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