Às vezes de forma direta, às vezes misturada à interpretação de texto, a sintaxe da oração e a sintaxe de período sempre dão as caras em questões de Língua Portuguesa de concursos bancários.

Mas não precisa se assustar. Apesar de o nome parecer complicado, sintaxe é algo que você já usa todos os dias, mesmo sem se dar conta.

Sempre que você monta uma frase e entende quem faz a ação e quem a recebe, está aplicando sintaxe de forma intuitiva. Quer ver só?
Leia a frase abaixo:

 “O gerente aprovou o crédito.”

Agora responda rápido:
Quem praticou a ação? Qual é a ação? O que foi aprovado?

Se você respondeu “o gerente”, “aprovou” e “o crédito”, acaba de fazer uma análise sintática básica. É exatamente isso que o concurso pode cobrar — só que de forma mais técnica.

Bora descomplicar a sintaxe? Neste artigo você vai aprender:

  • O que é sintaxe?
  • O que é sintaxe de oração e de período?
  • Quais são os 5 tipos de orações?
  • Qual é a diferença entre sintaxe da oração e sintaxe do período?
  • O que cai em sintaxe?
  • Como estudar sintaxe?

Bora ver como transformar esse conteúdo em pontos na prova?

O que é sintaxe?

De acordo com o dicionário Priberam, a sintaxe é definida como: 

  • “Parte da linguística que se dedica ao estudo das regras e dos princípios que regem a organização dos constituintes das frases.” 

Ou seja, trata-se de entender como as palavras se organizam e o papel que cada uma desempenha dentro da frase. Para avançar nesse estudo, basta dominar três noções básicas: frase, oração e período. 

  • Frase é todo enunciado com sentido completo, tenha verbo ou não. Ela pode ser formada até mesmo por uma única palavra, desde que transmita uma ideia completa. Por exemplo: “Olá!” ou “Silêncio!”; 
  • Oração é toda frase que possui verbo. Exemplo: “O gerente do banco aprovou o crédito.”; 
  • Período é a frase formada por uma ou mais orações. De acordo com o número de verbos, ele se divide em:
    • Período simples: formado por uma única oração. Por exemplo: “O gerente do banco aprovou o crédito.”; 
    • Período composto: formado por duas ou mais orações. Por exemplo: “O gerente do banco aprovou o crédito e liberou o valor.” 

Colocando em miúdos: toda oração é uma frase, mas nem toda frase é uma oração. Já o período é a frase que reúne uma ou mais orações. 

Perceba que, via de regra, o número de orações em um período pode ser identificado pelo número de verbos. A exceção ocorre nos casos de locução verbal, em que dois ou mais verbos formam uma única oração. Por exemplo: “O gerente vai aprovar o crédito.” 

Tudo certo até aqui? Com esses conceitos em mente, fica muito mais fácil entender o que é sintaxe da oração e sintaxe do período — que é exatamente o que veremos a seguir.

O que é sintaxe de oração?

A sintaxe da oração é a parte da gramática que estuda como as palavras se organizam dentro de uma oração. Isto é, dentro de uma frase que possui verbo.

O objetivo é identificar a função de cada termo e entender como eles se relacionam com o verbo, que é o núcleo da oração.

Para isso, costumamos responder perguntas como:

  • Quem pratica ou sofre a ação?
  • O que se diz sobre esse sujeito?
  • Quais termos completam o sentido do verbo?
  • Quais termos apenas acrescentam informações à frase?

Responder a essas perguntas exige conhecer os termos da oração, que se dividem em essenciais, integrantes e acessórios.

Termos essenciais da oração

São os termos indispensáveis para que a oração exista. Via de regra, são eles:

  • Sujeito:  é o termo sobre o qual se declara algo. Geralmente, responde à pergunta: quem? ou o quê? em relação ao verbo.
    • Exemplo: “Os alunos passaram no exame.”;
    • Identificação: o sujeito é “os alunos”.
  • Predicado: é tudo aquilo que se diz sobre o sujeito. Sempre inclui o verbo.
    • Exemplo: “Os alunos passaram no exame.”;
    • Identificação: o predicado é “passaram no exame”.

Em resumo: o sujeito é o termo sobre o qual se declara algo; o predicado é tudo o que se diz sobre o sujeito e que contém o verbo.

Dica para a prova: toda oração tem verbo e predicado; já o sujeito pode ser expresso, oculto ou até inexistente, em casos onde o verbo não admite sujeito. Exemplo: “Choveu no domingo.”

Termos integrantes da oração

São termos que completam o sentido de outras palavras dentro da oração, especialmente do verbo. São eles:

  • Objeto direto: completa o sentido do verbo sem preposição.
    • Exemplo:Li o livro.”;
    • Identificação: o objeto direto é “o livro”.
  • Objeto indireto: completa o sentido do verbo com preposição.
    • Exemplo:Gosto de matemática.”;
    • Identificação: o objeto indireto é de matemática.

Em resumo: se o verbo exige preposição, o complemento é objeto indireto; se não exige, é objeto direto.

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A preposição é a palavra invariável que liga dois termos da oração, estabelecendo entre eles uma relação de sentido, como causa, finalidade, lugar, tempo, modo, companhia ou posse. São termos como: a, de, em, para, por, com, sem, sobre, até, após, contra, desde, entre, sem, sob, sobre, e assim por diante.

Dica para a prova: lembre sempre que se o verbo pede preposição, o complemento não pode ser objeto direto.

Termos acessórios da oração

Como o próprio nome indica, são termos não obrigatórios, mas que acrescentam informações à oração. São eles:

  • Adjunto adnominal: caracteriza ou determina um substantivo. Pode ser artigo, adjetivo, numeral, pronome ou locução adjetiva;
    • Exemplo: Os três alunos dedicados passaram.”;
    • Identificação: os (artigo), três (numeral), dedicados (adjetivo).
  • Adjunto adverbial: indica circunstância em relação ao verbo, ao adjetivo ou ao advérbio (tempo, modo, lugar, causa, finalidade, entre outras);
    • Exemplo: “Estudei ontem, em casa, com atenção”;
    • Identificação: ontem (tempo), em casa (lugar), com atenção (modo).

Em resumo: o adjunto adnominal caracteriza ou determina um substantivo; já o adjunto adverbial indica circunstância.

Dica para a prova: sempre que o termo puder ser removido sem prejudicar a estrutura da oração, é sinal de que ele é acessório.

O que é sintaxe de período?

A sintaxe de período é estudada quando a frase é constituída por mais de uma oração. Nesse caso, a análise deixa de se concentrar apenas nos termos internos de cada oração e passa a observar a relação entre as orações dentro do período.

Aqui, a pergunta já não é mais “qual é o sujeito?” ou “o que ele fez ou faz?”, mas:

  • Quantas orações há no período?
  • Como uma oração se conecta à outra (ou às demais)?
  • As orações são independentes ou dependem uma da outra?

Quais são os 5 tipos de orações?

As orações são classificadas conforme a relação de dependência, independência ou ausência de relação com outras orações no período. São cinco tipos:

  • Oração coordenada;
  • Oração subordinada;
  • Oração absoluta;
  • Oração principal;
  • Oração intercalada.

A seguir, explicamos cada uma delas.

Orações coordenadas

Orações coordenadas são aquelas independentes entre si, embora possam estar ligadas por conectivos. Ou seja, não dependem de outras orações para ter sentido completo. 

  • Exemplo: “Estudei e passei”;
  • Identificação:
    • Estudei = oração coordenada;
    • passei = oração coordenada.

As orações coordenadas podem ser classificadas de acordo com o tipo de relação mantida entre elas dentro de um período, conforme a tabela abaixo:

TipoRelação entre as oraçõesConectivo típicoExemplo
AssindéticaNão há conectivoEstudei, passei.
AditivaSoma de ideiase, nemEstudei e revisei.
AdversativaIdeia de oposiçãomas, porém, contudoEstudei, mas não passei.
AlternativaIdeia de escolhaou… ouOu estudo, ou viajo.
ConclusivaIdeia de conclusãologo, portantoEstudei; logo, passei.
ExplicativaIdeia de explicaçãoporque, poisEstude, porque a prova é difícil.

Em resumo: a oração coordenada é independente, não exerce função sintática sobre as demais e pode ou não estar ligada por conectivo.

Dica para a prova: se as orações fazem sentido sozinhas, são coordenadas.

Orações subordinadas

Orações subordinadas, por sua vez, são aquelas que dependem de outra oração para ter sentido completo. Elas exercem função sintática em relação à oração principal, funcionando como termo dela.

  • Exemplo: “O candidato que se preparou passou.”;
  • Identificação:
    • Oração principal: o candidato passou;
    • Oração subordinada: que se preparou.

As orações subordinadas podem ser classificadas de acordo com a função que exercem em relação à oração principal, conforme a tabela abaixo:

TipoFunçãoConectivo típicoExemplo
SubstantivaFunciona como substantivoque, seÉ necessário que você estude
AdjetivaCaracteriza um substantivoque, quem, onde, cujoOs alunos que estudaram passaram
AdverbialIndica circunstânciaquando, porque, se, emboraEstudo quando tenho tempo

Em resumo: a oração subordinada não tem sentido completo sozinha, pois depende de outra oração e exerce função sintática dentro do período.

Dica para a prova: se a oração começa com “que”, “quando”, “porque”, “se”, “embora”, geralmente é subordinada.

Oração absoluta

A oração absoluta é uma frase de período simples, isto é, formada por uma única oração, com sentido completo.  Exemplo: “Os alunos estudaram.”

Dica para a prova: se há apenas um verbo e o sentido está completo, trata-se de oração absoluta.

Oração principal

Em um período, a oração principal é aquela que não depende de outra oração e serve de base para a subordinada.

  • Exemplo: “É importante que você estude.”
    • Oração principal: É importante” (faz sentido sozinha);
    • Oração subordinada:que você estude” (não faz sentido sozinha).

Dica para a prova: se uma oração pode existir sozinha, mas a outra precisa dela para fazer sentido, a primeira é a principal.

Oração intercalada

É uma oração que aparece inserida no período, entre outras orações, geralmente isolada por travessões, vírgulas ou parênteses. Ela interrompe a frase principal para acrescentar um comentário, explicação ou observação.

  • Exemplo: “O candidato — disse o professor — não estava preparado.
  • Identificação: “disse o professor” é a oração intercalada.

Dica para a prova: caso a oração possa ser retirada sem prejuízo da estrutura principal da frase e aparece entre travessões, vírgulas ou parênteses, é intercalada.

Tudo entendido até aqui? Para reforçar o conteúdo, observe a tabela-resumo com os cinco tipos de oração que vimos acima:

Tipo de oraçãoCaracterística principalRelação no períodoExemplo
Oração absolutaForma período simplesNão se relaciona com outra oraçãoChoveu muito.
Oração coordenadaÉ independentePode ligar-se a outra, sem dependênciaEstudei e passei.
Oração subordinadaDepende de outra oraçãoExerce função sintáticaEspero que você estude.
Oração principalRege a subordinadaÉ a base da dependênciaEspero (em Espero que você estude)
Oração intercaladaInterrompe a oração principalAparece inserida no períodoO aluno — disse o professor — passou.

Qual é a diferença entre sintaxe da oração e sintaxe do período?

A diferença é bastante simples:

  • Sintaxe da oração: analisa os termos dentro da oração;
  • Sintaxe do período: analisa a relação entre as orações no período.

O que cai em sintaxe?

Na hora da prova, a sintaxe pode aparecer de forma direta, em questões específicas de gramática, ou de forma indireta, dentro de questões de interpretação de texto.

De modo geral, as bancas exigem que o candidato saiba:

  • Identificar frases, orações e períodos;
  • Reconhecer quantos verbos há em uma frase, para determinar o número de orações;
  • Compreender a função sintática dos termos da oração, como sujeito, predicado, objetos e adjuntos;
  • Analisar a relação entre as orações no período, distinguindo:
    • Orações coordenadas (aditiva, adversativa, alternativa, conclusiva e explicativa);
    • Orações subordinadas (substantivas, adjetivas e adverbiais).

Qual a ordem para estudar sintaxe?

A análise sintática consiste em identificar e classificar os termos que compõem uma oração ou um período, de acordo com a função que exercem e com a relação que estabelecem entre si.

Para facilitar esse processo, ao analisar uma frase, é recomendável seguir a seguinte ordem:

  1. Localizar o(s) verbo(s)

O verbo é o ponto de partida. Afinal, sem ele não há oração. É ele que indica se há uma ou mais orações no período, pois cada verbo corresponde a uma oração (salvo locuções verbais).

  1. Identificar o sujeito e o predicado

Após localizar o verbo, deve-se identificar o sujeito, isto é, o termo sobre o qual se declara algo em relação a esse verbo. O predicado é tudo aquilo que se diz sobre o sujeito e sempre contém o verbo. Essa etapa ajuda a entender a estrutura básica da oração.

  1. Verificar a presença de termos integrantes e termos acessórios

Em seguida, observa-se se o verbo ou o sujeito exigem complementos (objetos direto e indireto) e se há termos que apenas acrescentam informações, como adjuntos adnominais e adverbiais. 

Vale lembrar: os termos integrantes são necessários para completar o sentido; os acessórios apenas enriquecem a mensagem.

  1. Determinar o número de orações

Com base no número de verbos ou locuções verbais, determina-se quantas orações existem no período. Essa identificação é primordial para avançar da sintaxe da oração para a sintaxe do período.

  1. Analisar a relação entre as orações

Por fim, em períodos compostos, analisa-se como as orações se relacionam entre si: se são independentes, caracterizando coordenação, ou se uma depende da outra, caracterizando subordinação.

Que tal um passo a passo, para ver como essa ordem funciona na prática? Então olha só:

Frase: “O candidato que estudou bastante foi aprovado.”

  1. Verbos: estudou, foi;
  2. Sujeito e predicado da oração principal:
    • Sujeito: O candidato que estudou bastante;
    • Predicado: foi aprovado;
  3. Termos integrantes e acessórios:
    • bastante (adjunto adverbial de intensidade);
  4. Número de orações: duas (dois verbos);
  5. Relação entre as orações:
    • que estudou bastante depende de o candidato, logo oração subordinada adjetiva.

Com essa sequência, tudo fica mais fácil, né? Agora, é só praticar com diferentes frases para ganhar velocidade de raciocínio para a hora da prova.

Vai uma mãozinha para passar de primeira no concurso?

Passar de primeira exige mais do que teoria: exige treinar do jeito que a banca cobra. Esse passo a passo de sintaxe é um exemplo claro do tipo de raciocínio que as questões exigem no dia da prova.

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