É comum ouvir que a língua portuguesa está entre as mais difíceis do mundo. Seja mito ou exagero, o fato é que a nossa ortografia contribui para essa percepção.
Afinal, quem nunca cometeu um deslize na hora de escrever ou teve dúvidas como: é com “ss” ou “ç”? Leva hífen ou se escreve tudo junto? E na prova, você já sabe: cada erro pode custar a sua classificação.
Mas não precisa se desesperar. Neste artigo, a TopConcursos preparou não apenas uma aula completa de ortografia, mas uma aula voltada para concursos. Ou seja, não se trata apenas de explicar regras, mas de focar no que realmente importa para a sua prova.
Confira o que você vai encontrar:
- O que é a ortografia oficial?
- O que mudou na ortografia oficial?
- Quais são as principais regras de ortografia?
- Quais são os erros de ortografia mais comuns em concursos?
- Quais são as palavras que mais caem em concursos?
- Como estudar ortografia oficial para concursos?
Bora tirar esse tema de letra?
O que é a ortografia oficial?
A ortografia é o conjunto de regras que definem como as palavras de uma língua devem ser escritas. Essas regras são estabelecidas por convenções oficiais — daí o nome “ortografia oficial” — e servem para padronizar a escrita e facilitar a comunicação entre pessoas que falam o mesmo idioma.
Para facilitar: quando falamos em ortografia oficial da língua portuguesa, estamos, portanto, nos referindo à forma correta de escrever as palavras, seguindo o padrão adotado no Brasil.
A ortografia pode ser:
- Regular: quando a grafia de uma palavra surge de uma regra; ou
- Irregular: quando a forma que uma palavra é escrita não vem de uma regra, mas de sua origem etimológica ou do uso ao longo do tempo.
Qual a diferença entre ortografia e gramática?
É muito comum haver confusão entre ortografia e gramática. Os dois termos estão relacionados, mas atenção: não significam a mesma coisa.
A gramática é mais abrangente. Ela reúne todas as regras da língua portuguesa, incluindo concordância, sintaxe, pontuação, entre outras. E vale tanto para a língua escrita quanto para a falada.
A ortografia, por sua vez, é a parte da gramática que se dedica a padronizar a escrita correta das palavras. Isso fica ainda mais claro ao observar a origem do termo: “ortografia” vem do grego orthós (correto) + graphía (escrita).
Portanto, escrever “ancioso” em vez de “ansioso” é um erro de ortografia. Já dizer “nós vai” é um erro gramatical — mais especificamente, de concordância. Assim de simples.
Qual a ortografia oficial do Brasil?
A ortografia vigente é regida pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, assinado pelo Brasil e pelos demais países lusófonos em 16 de dezembro daquele ano.
Com a assinatura, os governos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe se comprometeram a adotar normas comuns, com o objetivo de unificar a grafia da língua portuguesa.
No Brasil, o acordo foi oficializado pelo Decreto nº 6.583, de 29 de setembro de 2008, e passou por um período de transição. As novas regras tornaram-se obrigatórias em todo o território nacional a partir de 1º de janeiro de 2016.
O que mudou na ortografia oficial?
Já se passou mais de uma década desde que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrou em vigor no Brasil, mas muita gente ainda tem dúvidas sobre o que mudou. De forma objetiva, estas foram as principais alterações:
- Alfabeto: passou de 23 para 26 letras, com a inclusão oficial de k, w e y;
- Trema: foi extinto em palavras da língua portuguesa (como linguiça), sendo mantido apenas em nomes próprios estrangeiros (como Hübner);
- Acento diferencial: em geral, foi abolido (como em para — verbo e preposição — e pelo), com poucas exceções, como pôde (passado) e pôr (verbo);
- Ditongos abertos: deixaram de ser acentuados em palavras paroxítonas (como ideia, heroico, assembleia);
- Uso do “u” e do “i” tônicos após “g” e “q”: não recebem mais acento (como em argui e apazigue);
- Hiato “oo” e “ee”: perderam o acento (como voo e leem);
- Acento diferencial: abolido na maioria das palavras paroxítonas com vogal tônica;
- Hífen: teve suas regras simplificadas e padronizadas, mas ainda é um dos pontos que mais geram dúvidas. Entre as mudanças, está o uso obrigatório do hífen quando a palavra seguinte começa com “h” ou com a mesma vogal com que o prefixo termina.
Cabe ressaltar que a lista acima serve apenas para “passar os olhos” sobre as principais mudanças promovidas com o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Ao longo deste artigo, vamos revisar cada um desses pontos — e também outros que permaneceram iguais — com mais profundidade.
Antes de prosseguir, vale destacar que essas mudanças reforçam uma máxima importante: a língua é um organismo vivo. Ou seja, suas normas estão sujeitas a transformações, muitas delas impulsionadas por neologismos (criação de novas palavras) e pelo próprio uso. Esta não foi a primeira — e provavelmente não será a última — reforma ortográfica.
Em edições mais antigas de livros, por exemplo, é possível encontrar palavras como athmosphera, gêlo, pharmacia, hypnose, acção e optimo — todas simplificadas ao longo do tempo.
Quais são as principais regras de ortografia?
Uso de hífen, acentos, X e CH, Z e S, palavras dígrafas, homófonas, parônimas e homônimas. Essa é apenas uma pequena amostra de uma lista extensa de principais regras de ortografia. Citá-las todas é por si só um desafio.
É muita informação para absorver, mas não precisa se desesperar. Abaixo, organizamos e simplificamos os principais pontos que você precisa conhecer para se sair bem na prova — aquelas regras que mais aparecem e mais derrubam candidatos.
Olha só:
- Alfabeto;
- Acentuação (inclui ditongos, hiatos e acento diferencial);
- Crase;
- Uso dos porquês;
- Hífen;
- Emprego de letras (X ou CH; C, S, SS, Ç ou Z; G ou J);
- Homônimas e parônimas;
- Letras maiúsculas e minúsculas.
Pronto(a) para aprender tudo isso?
Alfabeto
Desde o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, o alfabeto passou a contar oficialmente com 26 letras, com o acréscimo de “k”, “w” e “y”. Essas letras são usadas em quatro situações principais:
- 1. Em nomes estrangeiros de pessoas e palavras derivadas desses nomes
Por exemplo:- Nome estrangeiro: Shakespeare, Darwin, Taylor, Kafka;
- Derivados: shakespeariano, darwinismo, taylorista, kafkiano.
- 2. Em nomes de lugares estrangeiros e palavras derivadas
Por exemplo:- Nome: Kwanza, Kuwait, Malawi;
- Derivados: kuwaitiano, malawiano.
- 3. Em abreviaturas e símbolos de uso internacional
Por exemplo:- K (potássio), kg (quilograma), km (quilómetro), kW (quilowatt), W (tungsténio), Y (ítrio).
- 4. Em estrangeirismos (palavras incorporadas sem tradução)
Por exemplo:- Check-in e check-out, hardware, hobby, karaokê, kart, software, yoga.
Além disso, o acordo estabelece algumas observações importantes:
Primeiro, além das 26 letras, a língua portuguesa também utiliza:
- o ç (cê cedilhado);
- e os seguintes dígrafos: rr, ss, ch, lh, nh, gu e qu.
Segundo, recomenda-se que nomes estrangeiros de lugares sejam adaptados para formas portuguesas, quando já houver uma forma consagrada em português.
Por exemplo:
- Munique (em vez de München);
- Zurique (em vez de Zürich);
- Nova Iorque (em vez de Nova York).
Atenção: a palavra-chave é “recomenda-se”. O acordo não impõe a adaptação, apenas orienta. Assim:
- Nova Iorque (forma preferível);
- Nova York (forma também aceita).
Acentuação
Um dos pontos mais cobrados — e que mais custam pontos — de ortografia em concursos públicos, a acentuação serve para modificar o som de uma letra, fazendo com que palavras de escrita semelhante sejam lidas de forma diferente, ganhando novos significados. Por exemplo:
- Fabrica (ato de fabricar) e fábrica (substantivo: local onde se produz algo);
- Pode (presente) e pôde (pretérito perfeito);
- Por (preposição) e pôr (verbo);
- Tem (singular) e têm (plural);
- Vem (singular) e vêm (plural);
- Sabia (verbo saber) e sábia (pessoa com sabedoria);
- Publico (verbo publicar) e público (substantivo/adjetivo);
- Medico (verbo medicar) e médico (profissional de saúde);
- Secretaria (lugar) e secretária (profissão);
- Numero (verbo numerar) e número (substantivo).
Se a função do acento é clara, as regras de acentuação, por sua vez, costumam gerar dúvidas — especialmente após as alterações promovidas pelo Acordo Ortográfico. A lista é extensa, mas, para fins de prova, as principais normas em vigor podem ser resumidas conforme a tabela abaixo:
| Regra | Explicação | Exemplos |
| Oxítonas | Última sílaba tônica; acentuam-se as terminadas em a(s), e(s), o(s), em(ens) | café, cipó, também, parabéns |
| Paroxítonas | Penúltima sílaba tônica; acentuam-se as terminadas em l, n, r, x, i(s), u(s), um(uns), on(s), ps, ã(s), ão(s) | fácil, hífen, caráter, tórax, júri, vírus, álbum |
| Proparoxítonas | Antepenúltima sílaba tônica; todas são acentuadas | médico, lâmpada, trânsito |
| Ditongos abertos (éi, ói, éu) | Encontro de vogais na mesma sílaba; acento apenas em oxítonas | herói, anéis, céu (ideia, jiboia, colmeia não têm acento) |
| Hiato (i e u tônicos) | Vogais em sílabas separadas; acentuam-se quando sozinhas ou com “s” | saída, baú, país |
| Acento diferencial (uso atual) | Diferencia palavras | pôr x por; pôde x pode |
| Acento diferencial (não se usa mais) | Casos abolidos pelo acordo | para x para; pelo x pelo; pera x pera |
| Verbos ter/vir | Diferenciam singular e plural | ele tem / eles têm; ele vem / eles vêm |
| Trema | Não é mais utilizado | linguiça, tranquilo |
| Paroxítonas com i e u após ditongo | Perderam o acento quando o i ou u tônicos vêm depois de ditongo | feiura, taoismo |
| Terminadas em -eem e hiato -oo | Perderam o acento gráfico | leem, veem, creem, deem, voo |
| Formas verbais com u tônico (gue/gui; que/qui) | Perderam o acento nas formas rizotônicas | argui, apazigue |
Crase
Também chamada de acento grave, a crase é outro tema bastante temido em provas de ortografia para concurso. Não é para menos: seus desdobramentos e casos específicos são numerosos e cheios de detalhes, o que costuma gerar bastante dúvida até entre concurseiros mais experientes.
Justamente por essas particularidades é que a crase, apesar de fazer parte da acentuação, acaba sendo estudada à parte.
Apesar de parecer muito complicado, tudo se resume a uma só regra: a crase ocorre quando há o encontro da preposição “a” com o artigo feminino “a”. Por exemplo:
- Vou à escola;
- Entreguei o documento à professora.
Todo o resto que se estuda sobre crase, na prática, são desdobramentos dessa regra — ou seja, formas de verificar se esses dois elementos estão presentes.
Assim mesmo, apesar de ter uma só regra, na prática, é comum surgir várias dúvidas. Para facilitar, abaixo separamos quando afinal a oração pede ou não pede crase:
| Situação | Explicação (como pensar na prova) | Exemplo | |
| Quando usar crase | Regência (verbo/nome + feminino) | Verifique se o verbo pede “a” (quem vai, vai a) + palavra aceita artigo “a”. | Assisti à aula / Fui à escola |
| Locuções femininas (explícitas ou implícitas) | Expressões fixas femininas sempre têm crase; pode haver forma implícita (“à moda de”). | à noite, às vezes, à toa, à semelhança de, à deriva, às avessas | |
| Antes de horas | Sempre que indicar hora exata use crase. | Cheguei às 8 horas | |
| “Aquele(s), aquela(s), aquilo” | A crase se aplica quando os pronomes demonstrativos têm função de complemento exigindo a preposição “a”. | Refiro-me àquele aluno | |
| Feminino determinado (com “as”) | Quando existe encontro de “a + as” vira “às”. | Entreguei o prêmio às alunas | |
| “À moda de” (implícito) | Mesmo com masculino, há expressão feminina escondida (“moda”). | Bife à milanesa. (= à moda de Milão) | |
| Quando NÃO usar crase | Palavra masculina | Palavras masculinas não admitem artigo feminino “a”, portanto não há crase. Mesmo que haja preposição “a”, não ocorre a fusão necessária. | Vou a pé / Vou a cavalo |
| Antes de verbo | Verbos não admitem artigo, por isso não ocorre crase antes deles. | Começou a estudar | |
| Maioria dos pronomes | A maioria dos pronomes não admite artigo, portanto não há crase antes deles. No entanto, há exceções, como ocorre com alguns pronomes relativos, quando há regência que exige a preposição “a”. Por exemplo: “à qual”. | Entreguei a ela | |
| Numeral (exceto horas) | Numerais, em geral, não admitem artigo feminino, portanto não há crase. A exceção ocorre apenas em indicações de horas. | Fica a três km | |
| Expressões com palavras repetidas, mesmo que femininas | Em estruturas fixas com palavras repetidas, não há artigo definido entre os termos, portanto não ocorre crase | Face a face | |
| Feminino plural sem artigo e antecedidas pela preposição a | Quando o termo está no plural sem a presença do artigo “as”, há apenas a preposição “a”, sem crase. | Dei bolsas a alunas | |
| Expressões com palavras masculinas ou verbo | Não há artigo feminino, portanto, não leva crase. | a partir, a prazo | |
| Casos facultativos | Pronome possessivo feminino | Pode usar ou não artigo. A crase é opcional. | Entreguei a/à sua irmã |
| Nome próprio feminino | Nome pode ou não ter artigo. | Vou a/à Maria | |
| Após “até” | “Até” pode vir com ou sem “a”. | Fui até a/à escola | |
| Casos especiais (atenção em prova) | Nome de lugar | Teste: “volto da” usa crase; “volto de” não usa. | Vou à Bahia. / Vou a Paris |
| Palavra “casa” | Sem especificação, sem artigo; com complemento tem artigo | Voltei a casa / à casa da mãe | |
| Palavra “terra” | Genérico não leva artigo; especificado leva artigo, portanto, tem crase. | Cheguei a terra / à terra natal | |
| “A qual” | Se o verbo pede “a” ocorre crase. | A regra à qual me referi |
Dica valiosa para concurso: para verificar se há crase, substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se, na substituição, aparecer “ao”, então haverá crase no feminino (à). Veja:
- Vamos ao shopping / Vamos à feira.
Isso ocorre porque, no masculino, há a combinação da preposição “a” com o artigo “o” (a + o = ao). No feminino, essa combinação ocorre com “a” (a + a = à).
Uso dos porquês
Quem nunca se perguntou por que existem quatro “porquês” em português, não é mesmo? Saiba que não é simplesmente porque sim. Há um motivo — e é justamente o porquê dessa diferença. Mas, afinal, por quê?
Brincadeira à parte, acontece que a língua portuguesa passou a diferenciar graficamente usos que já eram distintos na fala e no contexto. Assim, cada forma da palavra ganhou uma função.
Para não errar, é preciso entender — e decorar — cada uma dessas funções:
| Forma | Quando usar | Explicação | Exemplos |
| Por que | Perguntas (diretas ou indiretas) | Equivale a “por qual motivo” ou “por qual razão”. Usado em perguntas ou introduções de dúvida. | Por que você faltou? / Não sei por que ele saiu. |
| Porque | Respostas | Usado para explicar, dar causa ou justificativa. Equivale a “pois”, “uma vez que”. | Faltei porque estava doente. |
| Por quê | Final de frase | Usado quando aparece no final da frase, antes de pausa (ponto, interrogação, etc.). | Você faltou por quê? / Ele saiu, mas não sei por quê. |
| Porquê | Substantivo | Significa “o motivo”, “a razão”. Geralmente vem acompanhado de artigo ou determinante. | Não entendi o porquê da falta. / Explique os porquês do problema. |
Hífen
Para começar com uma boa notícia: o Acordo Ortográfico de 1990 simplificou e padronizou o uso do hífen. A má notícia, por sua vez, é que, na prática, mesmo com essa padronização, o hífen continua sendo uma das dúvidas mais comuns na escrita.
Aqui também existe um bom número de regras. São elas:
| Situação | Regra / Explicação | Exemplos |
| Prefixo + mesma vogal | Usa-se hífen quando o prefixo termina com a mesma vogal que inicia o segundo elemento. | anti-inflamatório, micro-ondas, contra-ataque |
| Prefixo + “h” | Usa-se hífen quando a segunda palavra começa com “h”. | anti-higiênico, pré-história, super-homem |
| Prefixos “ex”, “vice”, “pré”, “pró”, “pós”, “sem” | Em geral, são seguidos de hífen. | ex-aluno, vice-presidente, pré-natal, pós-graduação, sem-terra |
| Vogais diferentes | Quando um prefixo termina em vogal e a palavra seguinte começa por vogal diferente não se usa hífen. | autoescola, infraestrutura, autoajuda |
| Prefixo + “r” ou “s” | Não se usa hífen, e a consoante é duplicada. | antirrábico, minissaia, ultrassom |
| Prefixos “inter”, “super” e “hiper” + “r” | Mantém-se o hífen quando esses prefixos se ligam a palavras iniciadas por r | inter-regional, super-resistente, hiper-realista |
| Palavras compostas com sentido próprio | Mantêm hífen quando formam uma unidade de significado. | guarda-chuva, segunda-feira, arco-íris |
| Locuções (expressões fixas) | Não se usa hífen em locuções comuns. | café com leite, fim de semana, dia a dia |
| Palavras com elementos repetidos | em palavras compostas com elementos repetidos ou que formam uma unidade sonora, frequentemente usadas como onomatopeias. | tico-tico, blá-blá-blá, reco-reco, pingue-pongue, |
| Palavras com prefixos “co”, “re”, “pre” (sem acento) | Não levam hífen quando não há regra específica. | coordenar, reescrever, preexistente |
| Casos com “bem” e “mal” | Usa-se hífen quando há ligação direta com a palavra seguinte iniciada por vogal ou “h”. | bem-estar, mal-humorado |
| “mal” + consoante | Sem hífen. | malcriado, malfeito |
Emprego de letras (X ou CH; S, SS, Ç ou Z; G ou J)
Lembra quando falamos que a acentuação serve para mudar o som e, assim, o sentido das palavras? Mas e o que acontece quando letras e dígrafos acabam tendo o mesmo som?
Pois é: quem nunca cometeu um deslize ou precisou recorrer ao Google para saber se uma palavra era com “x” ou “ch”, “g” ou “j”, ou ainda com “s”, “ss”, “ç” ou “z”?
Para nunca mais se confundir, abaixo explicamos as regras para cada uma dessas situações:
X ou CH
Esse é um dos casos que mais exigem memorização, já que, na maioria das situações, a escolha entre a consoante “x” e o dígrafo “ch” não segue regras fixas, mas o uso consagrado da língua e, em alguns casos, a origem das palavras. De forma geral:
- Levam “x” muitas palavras de origem indígena e africana, como abacaxi e xangô.
- Já o “ch” aparece com frequência em palavras de origem europeia (latina ou germânica) e também em termos que imitam ou sugerem sons e ruídos, como chuva e cheque, além de chiado, chocalho e choro.
Apesar dessa irregularidade, existem alguns padrões que podem ajudar na hora da prova:
- Após ditongo, costuma-se usar “x”. Exemplos: peixe, paixão, abaixo, ameixa;
- Depois da sílaba inicial “en-”, também se usa “x”. Exemplos: enxada, enxame, enxoval, enxurrada;
- Depois da sílaba “me-”, aparece com frequência o “x”. Exemplos: mexer, mexilhão e mexerico;
- Palavras inglesas aportuguesadas, inicialmente escritas com “sh”, também são grafadas com “x”. Exemplo: xampu.
Note que os padrões identificáveis estão concentrados no uso do “x”, enquanto o “ch” é ainda mais dependente do uso consagrado.
Mas atenção: tanto a origem das palavras quanto esses padrões apresentam exceções.
Há palavras de origem indígena com “ch” (chuchu, chimarrão) e palavras de origem europeia com “x” (exemplo, exercício). Além disso, nem todas seguem os padrões mencionados, como recauchutar, encharcar, encher e mecha.
Para facilitar, na tabela abaixo estão alguns exemplos de palavras que costumam causar confusão entre “x” e “ch”:
| Palavras com “x” | Palavras com “ch” |
| Mexer, enxergar, enxoval, faixa, xale, xingar, xará, roxo e xícara. | Mecha, encher, encharcar, pechincha, fechar, cacho, chuchu, chaleira, chamar, chegar, chamego, charlatão, rocha (pedra), chuchu, chilique e inchado. |
G ou J
A exemplo do “x” e “ch”, o uso de “g” ou “j” também está, em grande parte dos casos, ligado à origem das palavras e a padrões históricos. Por isso, mais uma vez, é necessário recorrer à memorização.
Essa relação com a origem ajuda a explicar, por exemplo, por que muitas palavras são grafadas com “j”, como ocorre em:
- Palavras de origem árabe: azulejo, berinjela, jarra;
- Palavras de origem tupi: jiboia, jerimum, jabuti;
- Palavras de origem africana: jiló, jabá, jongo.
Ainda assim, esse critério não é suficiente para orientar o uso no dia a dia. Em diversas situações, especialmente antes das vogais “e” e “i”, palavras com grafias diferentes podem apresentar o mesmo som, como em gelado (com G) e jiló (com J).
Essa semelhança sonora, no entanto, não indica a existência de uma regra confiável de uso, o que reforça a necessidade de memorização.
Apesar disso, alguns padrões podem ajudar:
- Usa-se “G” em:
- Palavras terminadas em -agem, -igem e -ugem: viagem, origem, ferrugem;
- Derivados de palavras grafadas com g: selvagem – selvageria; faringe – faringite;
- Palavras com os sufixos -ígio, -ógio e -úgio: prestígio, relógio, refúgio;
- Verbos terminados em -ger e -gir: proteger, eleger, agir, fingir;
- Substantivos terminados em -gem: viagem, passagem, paisagem.
- Usa-se “J” em:
- Verbos terminados em -jar e seus derivados: viajar, encorajar, enferrujar
- Derivados de palavras grafadas com j: loja – lojista; laranja – laranjeira.
Ainda assim, esses padrões não são suficientes para cobrir todos os casos, o que reforça a necessidade de familiaridade com o uso. Além disso, existem exceções importantes, como pajem.
Para facilitar, preparamos abaixo uma tabela com palavras com “g” e “j” que costumam causar confusão:
| Palavras com “g” | Palavras com “j” |
| Gelado, gente, girar, gigante, origem, viagem, ferrugem, ligeiro, mágico, registro, girafa e álgebra. | Jiló, gorjeta, jeito, laje, traje, nojo, hoje, jeito, sujeito e viajar. |
C, S, SS, Ç ou Z
Se escolher entre duas opções pode ser complicado, a confusão aqui é muito maior. A boa notícia é que, apesar da influência etimológica e do uso consagrado, há regras gerais que ajudam na escolha entre “s”, “ss”, “ç”, “z” e “c”.
De forma geral, a distinção envolve o som desejado e a posição da letra na palavra.
- Usa-se “S” em:
- Palavras derivadas de primitivas com “s”: casa – casinha; análise – analisar;
- Após ditongos com som de /z/: coisa, lousa e maisena;
- Substantivos e adjetivos terminados em “-esa”, “-ês”, “-esia”, “-isia”: poetisa, camponês, português e anestesia;
- Na conjugação dos verbos querer e pôr: quis, quisemos e pôs;
- Sufixos “-ase”, “-ese”, “-ise”, “-ose”: fase, tese, crise e osmose;
- Adjetivos terminados em “-oso”, “-osa”: gostoso, famosa e perigosa;
- Quando há perda de “d”, “t” ou “m”: decidir – decisão; permitir – permissão; admitir – admissão;
- Derivados de verbos como “-pelir”, “-ergir”, “-correr”: expelir – expulsão; emergir – emersão; recorrer – recurso;
- Após consoantes: pulsar, persa e bolsa.
- Usa-se “Z” em:
- Substantivos derivados de adjetivos (ideia de qualidade): certo – certeza; macio – maciez; belo – beleza;
- Sufixos “-zito”, “-zada”, “-zudo”, “-zinho”, “-zeiro”, “-zal”, “-zarrão”, “-zona”: cãozinho e papelzinho.
- Substantivos abstratos femininos terminados em “-ez”: pequenez, timidez e rigidez;
- Substantivos com sufixo “-eza”: beleza, gentileza e nobreza.
- Usa-se “SS” em:
- Entre vogais para manter o som forte de /s/: passar, massa, necessário e possível.
- Usa-se “Ç” em:
- Antes de “a”, “o” e “u” para manter o som de /s/: caça, açúcar e aço;
- Quando o verbo muda o radical e não pertence aos grupos com “d”, “t” ou “m”: fazer – faço; refazer – refaço;
- Palavras de origem árabe: açude, alvoroço e açafrão;
- Sufixos “-aça”, “-iça”, “-iço”, “-aço”, “-uça”, “-uço”, “-ação”: cachaça, preguiça, sumiço, ricaço, carapuça e formação;
- Palavras de origem tupi: açaí, paçoca e cupuaçu;
- Palavras de origem africana: cachaça, jagunço e miçanga.
- Usa-se “C” em:
- Antes de “e” e “i” com som de /s/: cedo, cidade e acetato;
- Sufixo “-ecer”: merecer, crescer e obedecer;
- Palavras de origem árabe: alface, cetim e açucena;
- Palavras de origem tupi: cacique e cipó.
- Usa-se “C” ou “Ç” em:
- Após ditongos com som de /s/: traição e coice.
Algumas exceções:
- Catequese – catequizar;
- Juíza;
- Deslize e gaze;
- Casa – casinha; asa – asinha;
- Arsenal e carmesim.
Veja, na tabela abaixo, alguns exemplos de palavras com “s”, “z”, “c”, “ç” e “ss”:
| Palavras com “s” | Palavras com “z” | Palavras com “c” | Palavras com “ç” | Palavras com “ss” |
| Aviso, tese, sorriso, curioso, análise, paralisia, hesitar, presídio, deslize e trânsito. | Azeite, rapidez, deslizar, revisar, prejuízo, raiz e juízo. | Acerto, decente, incipiente, suscetível, conciso e recíproco. | Calça, laço, porção, exceção, decepção, absorção, condução, redução, maciço e infração. | Acesso, processo, discussão, missão, assessoria, obsessivo, concessão, dissenso e ressarcimento. |
Parônimas
Uma das pegadinhas de Língua Portuguesa mais comuns em concursos públicos, as parônimas são palavras que apresentam pronúncia e grafia parecidas — não iguais —, mas com significados diferentes. Alguns exemplos conhecidos incluem:
- Cavaleiro (quem anda de cavalo) / cavalheiro (educado);
- Cumprimento (saudação) / comprimento (tamanho);
- Deferir (acatar) / diferir (adiar ou divergir);
- Tráfico (comércio ilegal) / tráfego (trânsito);
- Flagrante (evidente ou no momento do fato) / fragrante (perfumado);
- Emergir (vir à tona) / imergir (mergulhar);
- Iminente (prestes a acontecer) / eminente (ilustre).
Homônimas
Homônimas, por sua vez, são palavras que possuem mesma pronúncia e/ou mesma grafia, mas significados diferentes. Dividem-se em três grupos:
- Homônimos perfeitos: Idênticos em pronúncia e escrita, mas com sentidos diferentes. Exemplos:
- Cobra (animal) / cobra (verbo cobrar);
- Manga (fruta) / manga (da camisa);
- São (sadio) / são (terceira pessoa do plural do verbo ser).
- Homógrafos: Possuem a mesma grafia, mas a pronúncia é diferente. Exemplos:
- Colher (talher) / colher (verbo pegar);
- Sede (vontade de beber) / sede (matriz, sede administrativa);
- Jogo (substantivo) / jogo (verbo jogar).
- Homófonos: tipo mais comum, são iguais em pronúncia, mas diferentes em grafia. Exemplos:
- Censo (recenseamento) / senso (juízo);
- Acento (ortografia) / assento (lugar para sentar);
- Cela (prisão) / sela (arreio);
- Alto (elevado) / auto (ato, registro formal);
- Trás (advérbio de lugar) / traz (verbo trazer);
- Houve (verbo haver) / ouve (verbo ouvir);
- Cerrar (fechar) / serrar (cortar);
- Cheque (ordem de pagamento) / xeque (do xadrez);
- Apressar (acelerar) / apreçar (pôr preço);
- Acender (fogo, luz) / ascender (subir, progredir);
- Mau (oposto de bom) / mal (oposto de bem);
- Conserto (reparo) / concerto (apresentação musical);
- Prezar (ter apreço) / presar (aprisionar).
Letras maiúsculas e minúsculas
E, para terminar, uma regra que parece simples: o uso de maiúsculas e minúsculas.
Note, que falamos “parece”. Sim, até aqui há detalhes que muita gente ignora — e acaba errando. Na dúvida, vale revisar as principais situações de uso, como explicado abaixo.
- A letra minúscula é usada:
- Em palavras comuns do dia a dia;
- Nos dias da semana, meses e estações do ano: segunda-feira; outubro; verão;
- Nos pontos cardeais, quando usados de forma geral: norte; sul; leste; oeste;
- Em títulos de livros, jornais etc., nas palavras depois da primeira (exceto nomes próprios): O senhor do paço de Ninães;
- Em nomes de áreas do conhecimento e disciplinas: português; matemática; história;
- Em tratamentos e cargos, quando não fazem parte de nome próprio: o doutor João; o presidente da empresa.
- A letra maiúscula é usada:
- Em nomes de pessoas reais ou fictícias: João Silva; Branca de Neve;
- Em nomes de lugares reais ou fictícios: Brasil; São Paulo; Lisboa;
- Em nomes de instituições: Banco Central; Instituto Nacional do Seguro Social;
- Em festas e datas comemorativas: Natal; Páscoa; Carnaval;
- Em títulos de jornais e obras (primeira palavra): O Estado de São Paulo;
- Em siglas e abreviações: ONU; CPF; Sr.; V. Exa.;
- Nos pontos cardeais, quando indicam região: o Norte do país; o Nordeste brasileiro.
- Uso opcional (maiúscula ou minúscula):
- Disciplinas e áreas do conhecimento: português ou Português; matemática ou Matemática;
- Cargos e tratamentos: presidente ou Presidente; diretor ou Diretor;
- Nomes de logradouros e edifícios: rua ou Rua das Flores; igreja ou Igreja do Bonfim; palácio ou Palácio do Planalto.
Quais são os erros de ortografia mais comuns em concursos?
Se você acha a língua portuguesa complicada, saiba que não está sozinho. Escrever sem cometer deslizes, sem consulta e sob a pressão da prova não é tarefa simples.
Uma boa estratégia é aprender com os erros mais frequentes. Assim, você evita repeti-los e ainda reforça as regras.
Para ajudar, listamos abaixo 26 erros de ortografia muito comuns em concursos, com explicações diretas. Vamos nessa?
1. Por que / porque / por quê / porquê
- Por que: pergunta;
- Porque: explicação;
- Por quê: final de frase;
- Porquê: substantivo.
2. Mal / mau
- Mal: oposto de bem;
- Mau: oposto de bom.
3. Tem / têm
- Tem: singular;
- Têm: plural.
4. Faz / fazem (tempo)
- Faz dois anos (não “fazem dois anos” — o verbo fazer, indicando tempo decorrido, é impessoal).
5. Sessão / seção / cessão
- Sessão: período de tempo;
- Seção: divisão de algo;
- Cessão: ceder.
6.A fim / afim
- Senão: contrário, exceção, problema;
- Se não: condição.
7. A fim / afim
- A fim: finalidade;
- Afim: semelhante.
8. Embaixo / abaixo / acima / em cima
- Embaixo: advérbio de lugar (não “em baixo”, salvo contraste com “em cima”);
- Abaixo: advérbio de posição ou referência (não “a baixo”);
- Em cima: locução adverbial, contrário de “embaixo” (não “emcima”);
- Acima: advérbio que indica posição superior ou referência (não “a cima”).
10. Onde / aonde
- Onde: lugar fixo;
- Aonde: movimento.
11. Há / a
- Há: passado;
- A: futuro/distância.
12. De encontro a / ao encontro de
- De encontro a: contra;
- Ao encontro de: a favor.
13. Em vez de / ao invés de
- Em vez de: substituição;
- Ao invés de: oposição.
14. Esse / este
- Este: próximo;
- Esse: distante.
15. Nessa / nesta / naquela
- Nesta: mais próximo;
- Nessa: mais distante.
16. Precisa-se / precisam-se
- Precisa-se de ajuda;
- Precisam-se funcionários
17. Perca / perda
- Perca: verbo;
- Perda: substantivo.
18. Trás / traz
- Trás: posição;
- Traz: verbo trazer.
19. Uso de S, Z, SS, C e Ç / X ou CH / J e G
Escolha depende do reconhecimento de padrões ou do uso consagrado. Exige prática.
20. Erros por supressão de letras
- Prostração (não prostação);
- Retrógrado (não retrógado).
21. Troca na ordem das letras
- Meteorologia (não metereologia);
- Supérfluo (não supérfulo).
22. Palavras que devem ser separadas
- De repente;
- Com certeza;
- A partir de.
23. Hífen
- Uso varia conforme prefixo e palavra;
24. Verbos impessoais
- Não variam: faz dois anos;
25. Plural de palavras compostas
- Varia conforme estrutura;
26. Acentuação
- Atenção a ditongos abertos e regras gerais.
Dica: cuidado com “coloquialismos” — outro erro muito comum em prova. Tenha em mente que a linguagem espontânea que usamos para nos comunicar no dia a dia muitas vezes está errada do ponto de vista ortográfico. Veja exemplos:
- “Fui no cinema ontem.” / “Fui ao cinema ontem.”
- “Não vi eles quando cheguei.” / “Não os vi quando cheguei.”
- “Me apresentou ao seu chefe.” / “Apresentou-me ao seu chefe.”
- “Ele falou pra mim que não ia.” / “Ele disse que não iria.”
- “Fazem dois anos que estudo.” / “Faz dois anos que estudo.”
- “Ele chegou em casa tarde.” / “Ele chegou a casa tarde”
- “Se eu ver ele, aviso.” / “Se eu o vir, avisarei”
- “Vou ir lá depois.” / “Irei lá depois.”
Quais as palavras que mais caem em concursos?
Que as bancas gostam de pegadinhas não é novidade. Isso vale para questões de informática, direito, matemática e, claro, de ortografia — área em que esse tipo de questão encontra terreno fértil. De forma geral, as palavras que mais aparecem em concursos podem ser agrupadas em três categorias:
- Homônimos e parônimos (especialmente termos com sentidos distintos);
- Erros comuns de grafia;
- Uso de vocabulário culto (isto é, palavras menos usuais, mais frequentes em textos literários e técnicos).
A seguir, veja algumas das principais ocorrências.
- Homônimos e parônimos:
- Ascender (subir) × Acender (ligar, iluminar);
- Conserto (reparo) × Concerto (musical);
- Iminente (prestes a acontecer) × Eminente (ilustre, elevado);
- Infligir (aplicar pena) × Infringir (violar regra);
- Ratificar (confirmar) × Retificar (corrigir);
- Sessão (tempo/período) × Seção/Secção (divisão) × Cessão (ato de ceder);
- Tráfego (trânsito) × Tráfico (comércio ilegal).
- Erros comuns de grafia:
- Acima e abaixo (advérbios que indicam posição superior ou inferior ou referência — não “a cima” ou “a baixo”);
- Ao encontro de (a favor de, em conformidade) / de encontro a (contra, em oposição);
- De repente (não “derrepente”);
- Embaixo e em cima (não “em baixo” e “emcima”);
- Faz (tempo decorrido — verbo impessoal);
- Há / a (tempo decorrido × tempo futuro/distância);
- Mau (oposto de bom) / mal (oposto de bem; também advérbio ou substantivo);
- Onde (lugar fixo) / aonde (ideia de movimento);
- Por que (em perguntas diretas ou indiretas) / porque (explicação, causa) / por quê (no fim da frase) / porquê (substantivo = “o motivo”);
- Senão (caso contrário; exceção; defeito) / se não (condição: “se” + “não”);
- Sessão (período de tempo, reunião, exibição) / seção/secção (divisão, parte) / cessão (ato de ceder).
- Vocabulário culto e (“difícil”):
- Abstrair: ignorar, separar mentalmente;
- Austero: rigoroso, severo;
- Capcioso: ardiloso, que induz ao erro;
- Circunscrito: limitado;
- Concomitante: simultâneo;
- Defeso: proibido;
- Desonerar: aliviar de encargos;
- Destituir: retirar de cargo;
- Dispendioso: caro, que gera despesas;
- Eximir: livrar de culpa ou dever;
- Exonerar: dispensar de cargo;
- Idiossincrasia: características próprias de um indivíduo ou grupo;
- Inexorável: que não pode ser impedido;
- Isentar: livrar de obrigação;
- Justapor: colocar lado a lado;
- Opróbrio: vergonha extrema;
- Pedante: que ostenta conhecimento de forma excessiva;
- Perscrutar: examinar minuciosamente;
- Premente: urgente;
- Prescindir: dispensar;
- Procrastinar: adiar, deixar para depois;
- Prolegômenos: introdução, considerações iniciais;
- Suasório: persuasivo;
- Sumidade: pessoa muito importante em uma área;
- Vernáculo: próprio da língua;
- Vicissitudes: mudanças, inconstâncias, infortúnios.
Essas palavras, não raro, aparecem em enunciados elaborados que buscam não apenas confundir e testar a atenção do candidato, mas também avaliar sua familiaridade com textos formais.
Dica: além dos tipos de exemplos acima, não se esqueça de estudar o uso do hífen, da acentuação e da crase, bem como as palavras que geram confusão com “x” e “ch”, “g” e “j” e “c”, “s”, “ss”, “ç” e “z”.
Como estudar ortografia oficial para concursos?
Talvez você tenha chegado aqui achando que escrever em português já não parece tão fácil ou instintivo quanto parecia antes. Isso é normal. Afinal, há uma diferença homérica entre a língua falada no dia a dia — e até mesmo a escrita informal — e a linguagem formal, isto é, a chamada “escrita correta”.
Mas fique tranquilo. Existem diversas dicas que podem te ajudar a estudar ortografia para concursos. Olha só:
Conheça a banca
Cada banca organizadora tem seu próprio estilo de cobrança. Algumas valorizam mais a interpretação, enquanto outras são conhecidas pelas pegadinhas de ortografia. Entender esse padrão ajuda a direcionar seus estudos e a evitar perda de tempo com conteúdos pouco cobrados. Além disso, você passa a reconhecer “o jeito da banca”, o que aumenta sua precisão nas respostas.
Resolva questões de português de provas anteriores
A prática com questões é uma das formas mais eficientes de aprender ortografia. Ao praticar com simulados, você entra em contato direto com os tipos de erros que as bancas exploram. Isso ajuda não apenas a fixar regras, mas também a desenvolver rapidez e segurança na hora da prova. Lembre de anotar e revisar seus erros.
Análise provas anteriores e grife o vocabulário
Mais do que resolver questões, é importante analisá-las. Observe nos enunciados palavras que você não conhece ou que causam dúvida e destaque esses termos. Esse hábito amplia seu vocabulário e aprimora sua familiaridade com a linguagem formal. Com o tempo, você passa a reconhecer padrões e evita erros recorrentes.
Leia os enunciados com atenção
Muitos erros em provas não acontecem por falta de conhecimento, mas por desatenção. Palavras como “incorreta”, “exceto” ou “não” mudam completamente o sentido da questão. Além disso, quando se trata de ortografia, as bancas adoram pregar peças com palavras de som ou grafia semelhantes. Ler com calma e identificar essas palavras-chave é essencial para evitar pegadinhas e garantir que você responda exatamente o que foi pedido.
Crie mapas mentais ou cartões de memorização
O conteúdo de ortografia é extenso e repleto de regras. Aprender tudo isso, especialmente para quem não lida com escrita no dia a dia, leva tempo. Para facilitar a memorização, organize-o visualmente. Mapas mentais ajudam a conectar conceitos, enquanto cartões (flashcards) são ótimos para revisões rápidas. Você pode incluir pares problemáticos, regras de acentuação e exemplos de uso. Esse tipo de revisão ativa melhora a retenção a longo prazo.
Leia
Ler manuais de escrita pode ajudar — principalmente para identificar seus pontos fracos —, mas, para aprender a escrever corretamente, o caminho mais eficaz é a leitura frequente. Leia textos técnicos da sua área, notícias e, mais que tudo, literatura. A exposição constante à forma correta das palavras reforça a memória e consolida o aprendizado.
Pensando em concurso bancário?
Então salve este artigo para voltar nele sempre que precisar. Sim, se você pensou que ser bom com números e entender de finanças era o suficiente para passar em concurso, é melhor repensar. Concursos também cobram Língua Portuguesa e, consequentemente, ortografia (na verdade, quase todos concursos cobram). E não só isso: direito, conhecimentos gerais, informática básica, entre outras disciplinas.
Mas não precisa se preocupar: a TopConcursos está aqui para te ajudar! Em nossa plataforma, você tem acesso a simulados com questões reais (e comentadas) de concursos bancários realizados na última década — a propósito, somos os únicos a oferecer isso.
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